Centeno diz que há uma “revolução” na economia portuguesa. Fala em “dados impressionantes”

O ministro das Finanças reage aos números do INE. Diz que há uma "revolução" na economia portuguesa, mas que nem todos deram conta. São "dados impressionantes", afirma o governante.

O ministro das Finanças disse esta segunda-feira a economia portuguesa está a viver uma “revolução”, argumentando que os consumos privado e público perderam peso, ao mesmo tempo que o investimento e as exportações ganharam importância na riqueza produzida. Mário Centeno reagia assim aos números publicados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que reviu em alta o crescimento económico. “Estamos a crescer acima da Espanha desde 2017”, disse a partir do Porto, numa conferência de imprensa.

“Portugal é hoje, exceção feita à Irlanda, o país que mais cresce na Europa pré-alargamento”, disse o ministro, no dia em que o INE mostrou que a economia cresceu 3,5% em 2017 em vez de de 2,8% e 2,4% em 2018 em vez de 2,1%. O governante falou assim em “pequena revolução de crescimento”, em que o PIB per capita cresceu “sempre acima de 4%” e com o rendimento a crescer 4,4%.

Mário Centeno acrescenta que, “entre 2014 e 2018, a estrutura da economia transformou-se“. “O consumo público e privado reduziram o seu peso na estrutura do PIB em Portugal – pesam menos 3 pontos percentuais entre 2014 e 2018. Em contrapartida ganhou peso no PIB o investimento e as exportações”, diz Centeno, calculando que o peso destas componentes no PIB aumentou “seis pontos percentuais”. Segundo o ministro, as exportações e o investimento “nunca antes tinham representado tanto na atividade económica”.

“Isto é uma revolução que muitos ainda não se deram conta”, concluiu, depois de lembrar que durante a legislatura defendeu por várias vezes que o PIB estava subavaliado.

Mário Centeno rejeitou também a ideia de que as contas externas portuguesas estejam a piorar. “Dois terços do aumento das importações deve-se ao aumento do investimento”, disse, acrescentando que a “deterioração no saldo da balança de bens deve-se ao aumento das importações de bens de investimento”. “Este é um sinal virtuoso”, defendeu, frisando que “se contarmos todas as componentes da balança externa temos em 2018 um excedente igual ao de 2015”.

O ministro disse também que o défice de 0,8% do PIB no primeiro semestre do ano está “em linha” com o que estava previsto. Na informação que o INE reportou esta segunda-feira para Bruxelas é assumida a meta de um défice de 0,2% do PIB para o conjunto do ano, apesar da melhoria das contas públicas no ano passado. O INE reviu em baixa o défice de 2018 em uma décima para 0,4% face ao reporte publicado em março.

São “dados impressionantes” que o ministro não deixou de usar para pedir ao líder do PSD para rever as suas contas. O Governo destaca também o impacto que os novos dados do PIB tiveram na carga fiscal, revendo em baixa este indicador. Mas Centeno preferiu falar de outro, ainda assim. A carga fiscal “tem na componente de receita fiscal o mesmo valor de 2015”.

(Notícia atualizada às 14h03 com mais informação)

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