Consumo privado atingiu em 2018 máximo desde 1960

  • Lusa
  • 24 Setembro 2019

"Nunca as famílias portuguesas consumiram tanto. O consumo privado ultrapassou em 2018 (129.094,1 milhões de euros) o máximo que datava de 2008", concluiu a Pordata.

O consumo privado, que mede os gastos das famílias e das instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias, superou os 129 mil milhões de euros em 2018, atingindo o nível mais elevado desde 1960, segundo a Pordata.

“Nunca as famílias portuguesas consumiram tanto. O consumo privado (…) ultrapassou em 2018 (129.094,1 milhões de euros) o máximo que datava de 2008 (128.406,2 milhões de euros)”, a preços constantes, informou hoje a Pordata, num comunicado sobre a Revisão das Contas Nacionais, divulgada na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

O consumo privado mede os gastos das famílias e das instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias, “desde as contas da casa à compra de um novo automóvel”, explica a entidade.

A Pordata disponibiliza dados para o consumo privado desde 1960, quer a preços correntes, quer a preços constantes “para avaliar o que realmente se passou quando descontada a inflação”, sendo que os dados apresentados pela entidade usaram o deflator do IPC (Índice de Preços no Consumidor).

A Pordata indica também que, na última década, as exportações aumentaram de 27,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 43,5% do PIB em 2018, “o valor máximo da série que a Pordata disponibiliza desde 1960”. Já o valor mínimo do peso das exportações no PIB data de 1976, recorda a entidade, quando “representaram apenas 13,5% do PIB daquele ano”. Também as importações atingiram os 43,4% do PIB em 2018, “batendo o máximo de 40,8% do PIB que datava de 2008”.

Relativamente ao investimento, a Pordata refere que “desde 2011, que o investimento na economia portuguesa representa menos de 20% do PIB”, explicando que a chamada formação bruta de capital fixo “inclui investimentos tão variados desde edifícios, árvores, ‘software’, maquinaria e outros equipamentos utilizados por mais de um ano na produção de bens e serviços”.

A Pordata recorda que, em 1974, o investimento chegou a representar o equivalente a 33,4% do PIB português, mas em 2013 atingiu o mínimo de 14,8% do PIB, sendo o último dado disponível relativo a 2018, quando ficou em 17,6% do PIB.

A Pordata explica que apresenta dados desde 1960 para alguns indicadores, “ao efetuar a retropolação das séries a partir da aplicação sucessiva das taxas de variação dos dados anteriores a 1995 (na maioria dos casos, provenientes das séries longas do Banco de Portugal) ao novo valor para 1995, na base 2016 das Contas Nacionais Portuguesas”.

A entidade adianta que apresenta dados sobre “os principais deflatores, nomeadamente o do PIB e o do consumo privado, que permitem converter os preços correntes/nominais em preços constantes/reais, possibilitando analisar a evolução dos preços ao longo do tempo, sem o efeito da inflação”.

O INE publicou na segunda-feira a revisão da base das Contas Nacionais Portuguesas, iniciando a nova série de Contas Nacionais, que substitui 2011 por 2016 como ano de referência e que, tal como as anteriores séries, se inicia em 1995.

O INE explicou que “esta mudança de base se insere nas revisões regulares, que se realizam de cinco em cinco anos, com o objetivo de introduzir desenvolvimentos metodológicos e incorporar resultados de fontes cuja disponibilização de informação tem uma frequência mais baixa que a anual, visando dessa forma obter uma representação mais exata da atividade económica”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Consumo privado atingiu em 2018 máximo desde 1960

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião