Vice-governador do BdP considera que é subestimada a capacidade de adaptação dos bancos

  • Lusa
  • 26 Setembro 2019

Máximo dos Santos defende que é exagerado o vaticínio sobre o desaparecimento dos bancos face a novos operadores.

O vice-governador do Banco de Portugal, Máximo dos Santos, considerou esta quinta-feira que é exagerado o vaticínio sobre o desaparecimento dos bancos face a novos operadores, e que é subestimada a capacidade de adaptação do setor.

“Há quem entenda que as fintech são uma ameaça global para o setor bancário, seguramente o setor bancário não continuará igual, mas o vaticínio do seu desaparecimento a prazo parece não só vagamente exagerado (parafraseando Mark Twain) mas, mais do que isso, infundado e simplista”, afirmou o vice-governador numa conferência organizada pela sociedade de advogados Sérvulo & Associados.

Segundo o responsável do regulador e segurador bancário, esses vaticínios subestimam a “capacidade de adaptação do setor, a sua experiência acumulada, o caráter infungível das suas funções e a massa critica que é capaz de mobilizar”.

Para fazer face à transformação que o setor está a viver, o que os bancos têm de fazer é inovarem tecnologicamente, enfocarem os seus serviços na relação com o cliente e fazerem parcerias estratégicas com novos operadores do setor financeiro, como as fintech, disse, acrescentando que sabe que nada disto é novo para os bancos.

Sobre a regulação e os seus custos para os bancos, Máximo dos Santos admitiu que são elevados, mas afirmou que “os custos da ausência de regulação são bem maiores”, como provou a última crise financeira.

Presentes nesta conferência, os presidentes dos principais bancos que operam em Portugal consideraram que, apesar da ameaça de novos operadores, os bancos mais tradicionais continuam a ter vantagens, como uma relação “mais emocional” e próxima com os clientes e a extensa informação que têm dos clientes, que podem usar para prestar serviços e oferecer produtos de acordo com as suas necessidades.

“Não acredito que haja alguém melhor posicionado do que os bancos hoje, que já têm relação com o cliente”, defendeu Miguel Maya, presidente do BCP, que falou que os bancos usam o trabalho desenvolvido pelas ‘fintech’ como acelerador para inovarem. A preocupação dos bancos, acrescentou, não são as fintech mas as bigtech (grandes empresas tecnológicas, como Amazon, Facebook ou Google que também prestam serviços financeiros).

Cabe à banca baixar os custos de diversas formas, uma das quais pela tecnologia, para que as pessoas se sintam confiantes a pagar, e o digital é essencial, na recolha e tratamento de dados. É aqui se vai jogar o futuro a banca, de como os dados são recolhidos até como eles são tratados”, afirmou o presidente da CGD, Paulo Macedo.

No mesmo sentido, o presidente do Santander Totta, Pedro Castro e Almeida, considerou que os bancos perdem o seu “ativo” no momento em que “disponibilizarem ao mercado os dados dos clientes”.

Por fim, o presidente do Novo Banco, António Ramalho, falou ainda da necessidade de os bancos reduzirem custos e de como isso pode levar à concentração do setor, à fusão de bancos. Contudo, referiu, há mercados menos concentrados do que Portugal — como a Alemanha — em que se perspetivava consolidação no mercado mas ainda não aconteceu.

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