Caixa deixa cair patrocínio aos clubes de futebol. Apoia o râguebi

Contratos de patrocínio com Benfica e FC Porto terminaram este verão e a Caixa optou por não renovar, isto numa altura em que continua o controlo de custos no banco público por imposição de Bruxelas.

Apresentação de resultados da CGD - 01FEV19
Paulo Macedo durante a apresentação dos resultados semestrais do banco do Estado.Hugo Amaral/ECO

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) deixou cair o patrocínio ao futebol, isto depois de não ter renovado neste verão os contratos de naming com Benfica e FC Porto e que foram assinados há mais de uma década, ainda durante era de Carlos Santos Ferreira. Em tempos, o banco público chegou a patrocinar os três grandes do futebol português. Hoje em dia, a ligação da CGD ao desporto resume-se apenas ao patrocínio à seleção nacional de râguebi, numa altura em que continua o controlo de custos na instituição liderada por Paulo Macedo.

“A CGD faz anualmente um planeamento cuidado das suas opções em termos de investimento de marketing. A não renovação de alguns contratos, à medida que os mesmos terminam, tem sido uma opção nas diversas áreas, seja da música, desporto ou cultura”, disse fonte oficial do banco ao ECO depois de questionada sobre os acordos de patrocínio com portistas e benfiquistas.

"A não renovação de alguns contratos, à medida que os mesmos terminam, tem sido uma opção nas diversas áreas, seja da música, desporto ou cultura. (…) A CGD continuará a avaliar, a cada momento, o envolvimento com as diversas áreas de interesse dos seus clientes.”

Caixa Geral de Depósitos

Fonte oficial

Em junho passado, terminou o contrato que permitiu ao banco público dar o nome Dragão Caixa ao pavilhão das modalidades dos azuis-e-brancos nos últimos dez anos. O contrato de naming tinha sido assinado anos antes da inauguração da infraestrutura em abril de 2009, ainda durante a presidência de Santos Ferreira. Com o fim da ligação entre as duas partes, o pavilhão passou a designar-se Arena do Dragão desde julho passado.

Mais recentemente, Domingos Soares de Oliveira, administrador financeiro da SAD benfiquista, revelou estar à procura de um novo parceiro para dar o nome ao centro de estágio, no Seixal. Esta busca por um novo patrocinador arrancou a partir do momento em que o Benfica ficou a saber da não renovação do contrato de naming com a CGD que chegou ao fim no dia 21 de setembro. Por enquanto o centro de treinos dos encarnados vai-se chamar Benfica Futebol Campus.

Nos 13 anos anteriores foi o banco a emprestar o nome ao centro do Seixal. O então designado Caixa Futebol Campus foi inaugurado a 22 de setembro de 2006, numa cerimónia à qual não faltou o próprio presidente da CGD na altura. Carlos Santos Ferreira explicava assim a ligação do banco ao Benfica: “O patrocínio ao centro de estágio representa um investimento que reflete o compromisso entre duas instituições. A importância da marca Benfica, quer em Portugal quer um pouco por todo o mundo, é um facto, e está alinhada com a presença nacional e internacional da Caixa”.

Em 2007, a CGD também chegou a patrocinar o Sporting, o outro dos chamados “três grandes” do futebol nacional, num acordo a três anos (prevendo mais dois de opção) que permitiu ao banco dar o nome a uma bancada do Estádio José Alvalade e à academia sportinguista. O processo foi conduzido por Armando Vara, então administrador da CGD. “Esta é uma parceria do interesse de ambas as partes e vai ao encontro da estratégia da Caixa de estar presente nos desportos. Um setor onde não estava representada e que decidiu entrar no ano passado”, disse Vara em junho de 2007, referindo-se ao acordo que tinha feito com o rival Benfica.

Horas depois da publicação do artigo, o antigo administrador do banco António Nogueira Leite adiantou no Twitter que a CGD só agora deixou cair os contratos de patrocínio com Benfica e FC Porto por causa das clausulas penais acordadas entre as partes. Explicou ainda que foi com cedência dos direitos de naming à CGD que os clubes pagaram os créditos que financiaram a construção das duas infraestruturas. “Engenharia financeira trade mark Vara-Santos Ferreira”, notou António Nogueira Leite.

Râguebi e o controlo de custos

Desde que Vara referiu em 2007 que era estratégico a Caixa estar presente no desporto, muito mudou. E desde que Paulo Macedo assumiu a gestão, já depois de o Governo e as autoridades europeias terem chegado a um acordo para a recapitalização do banco do Estado, também. E a presença no desporto através de contratos de patrocínio deixou de ser uma prioridade numa instituição a precisar de emagrecer e controlar os custos.

“O nosso compromisso com a cultura, diretamente ou através da atividade da Culturgest, com as diversas manifestações de desporto ou com a música, continua válido”, acrescentou fonte oficial da CGD. Atualmente, a ligação do banco público ao deporto resume-se ao contrato de patrocínio da camisola da seleção nacional de râguebi. A CGD “continuará a avaliar, a cada momento, o envolvimento com as diversas áreas de interesse dos seus clientes”, remata.

A Caixa registou lucros de 417,5 milhões de euros no primeiro semestre do ano, fortemente influenciado pela venda do banco em Espanha. Mas, durante a apresentação dos resultados semestrais, Paulo Macedo sublinhou a necessidade de reduzir os custos, não só por exigência de Bruxelas, mas porque não se avizinham tempos fáceis no negócio da banca devido à política monetária do BCE. Este ajustamento tem passado pela venda de negócios internacionais — depois de Espanha, seguir-se-á África do Sul, Brasil e Cabo Verde –, mas também pela redução do número de trabalhadores e de balcões.

(Notícia atualizada às 12h18 do dia 3 de outubro com a reação do antigo administrador da CGD António Nogueira Leite no Twitter)

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