Debate? “Estou à espera que Rui Rio responda”, diz Centeno

  • Lusa e ECO
  • 2 Outubro 2019

Mário Centeno quer mesmo debater os programas macroeconómicos do PS e do PSD. Diz estar à espera da resposta de Rui Rio.

O ministro Mário Centeno, candidato a deputado pelo PS, insistiu esta quarta-feira, em declarações à Lusa, em debater os programas macroeconómicos dos dois partidos com Rui Rio.

“Estou à espera que o doutor Rui Rio responda. Não é o doutor Rui Rio que vai determinar com quem é que o candidato Mário Centeno vai debater“, respondeu Mário Centeno à Lusa, quando perguntado por que motivo não iria debater com o também candidato a deputado pelo PSD, Álvaro Almeida.

O também ministro das Finanças afirmou também que o PSD quer implementar “já em 2020” medidas “com um custo muito elevado no Orçamento do Estado, custo esse que não é refletido nas projeções que o PSD apresenta para as receitas”.

“Não podemos prometer cortar impostos num montante superior a 1.000 milhões de euros e depois ter a receita fiscal a crescer acima do PIB”, argumentou o candidato a deputado pelo círculo de Lisboa. Segundo Mário Centeno, no cenário do PSD estão previstos 2.000 milhões de euros de aumento de receita em 2020, que correspondem a um aumento de 3% de receita fiscal.

“Estes números é suposto já refletirem o corte de impostos que o PSD propõe para 2020, que levaria, se fossem incluídos, o aumento da receita total próxima dos 6%. Não há nenhum modelo para a economia portuguesa que possa sustentar um crescimento da receita fiscal próxima dos 6%”, asseverou o ministro das Finanças.

Mário Centeno acusou o PSD de propor “um programa eleitoral que não está financiado”, e de já em 2020 não ter “dinheiro para pagar as promessas que faz”. “Não é ao centro que o líder do PSD está a falar. O líder do PSD está a falar de um cenário radical, de propostas sem nenhum fundamento do ponto de vista financeiro, e que já em 2020 levariam o país para uma derrapagem orçamental“.

Já o programa do PS, de acordo com Centeno, está “ancorado no Programa de Estabilidade”, o documento orçamental de 2019 “mais escrutinado por todos”, como o parlamento, a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), o Conselho das Finanças Públicas e a Comissão Europeia.

Na terça-feira, Rui Rio desafiou o ministro das Finanças ainda em funções a debater com o economista social-democrata Álvaro Almeida, que é candidato pelo Porto, tendo Centeno ficado em silêncio até esta tarde. “Porque espera o CR7 das Finanças para honrar a sua palavra?”, atirou Rio.

O presidente do PSD tinha desafiado Mário Centeno a um frente a frente com Joaquim Miranda Sarmento, mas o economista socialista respondeu: “Os líderes debatem contra os líderes, os candidatos debatem com os candidatos”. Daí que Rio tenha acabado por sugerir o nome de Álvaro Almeida.

Esta quarta-feira, num artigo de opinião publicado no ECO, o atual secretário de Estado do Orçamento veio colocar-se ao lado de Centeno, apontando um buraco de 4.750 milhões de euros no cenário macroeconómico do PSD. “No passado, este tipo de exercícios de magia acabou por resultar em derrapagens, orçamentos retificativos e cortes nos rendimentos”, escreveu João Leão.

Em resposta, Joaquim Miranda Sarmento — também num artigo de opinião publicado no ECO — considerou que Centeno e Leão são “muito exaustivos no uso de adjetivos, mas pouco consistentes em termos técnicos”. “As Finanças controlaram despesa com cativações e a adiar pagamentos com fornecedores”, escreveu.

(Notícia atualizada às 20h53)

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