França ameaça retaliar contra sanções dos EUA

  • Lusa
  • 3 Outubro 2019

O Governo francês prevê que haja retaliação contra os EUA caso entrem em vigor as sanções contra produtos europeus.

A França prevê “medidas de retaliação” contra os Estados Unidos, em concertação com a UE, se Washington aplicar as sanções contra produtos europeus anunciadas na quarta-feira, disse a porta-voz do Governo francês.

“Nós sempre dissemos perante à OMC (Organização Mundial de Comércio) que acreditamos que é melhor encontrar soluções amigáveis do que participar em disputas comerciais“, declarou Sibeth Ndiaye à televisão BFMTV e à rádio RMC, após o anúncio dos Estados Unidos sobre impostos alfandegários punitivos sobre produtos europeus.

“Lamento que estejamos envolvidos nessa guerra comercial com os Estados Unidos porque, quando entramos em guerra, temos poucas hipóteses de ver o crescimento coletivo aumentar”, sublinhou a porta-voz, acrescentando que tal situação “no final, não traz nada a ninguém”. Questionada sobre o que poderia ser esta retaliação, Sibeth Ndiaye recusou-se a avançar as formas que poderiam combater as ações dos Estados Unidos.

A porta-voz do Governo francês demonstrou o desejo de “conversar antes de chegar lá (à guerra comercial)”, referindo que em pouco tempo poderiam chegar a um acordo. No entanto, se os Estados Unidos “não tiverem uma atitude de apaziguamento, a Europa não deixará passar”, alertou.

Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira que atingiriam 7,5 mil milhões de dólares em tarifas punitivas de produtos europeus, poucas horas depois dos norte-americanos terem uma “grande vitória” na OMC, nomeadamente no interminável caso das subvenções à Airbus.

Essas sobretaxas serão impostas a partir de 18 de outubro, nomeadamente 10% em aeronaves importadas da União Europeia e 25% em outros produtos, incluindo vinho, queijo, café e azeitonas, de acordo com uma lista publicada pelo Serviços do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

A maioria das sanções será aplicada às importações da França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, “os quatro países por trás dos subsídios ilegais” concedidos ao fabricante europeu de aeronaves, especificou o USTR.

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