Aumentos propostos pela CP são “insuficientes” mas ainda podem ser renegociados, dizem sindicatos

  • Lusa
  • 11 Outubro 2019

A comissão sindical negociadora considerou que a proposta de aumentos da CP "é insuficiente" e não supera as expectativas dos trabalhadores, mas espera que ainda possam ser renegociados.

A comissão sindical negociadora considerou esta sexta-feira “insuficiente” a proposta da CP – Comboios de Portugal relativa ao Acordo de Empresa (AE), mas espera que haja abertura por parte da transportadora e do Governo para renegociar algumas matérias.

A estrutura, que engloba o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF) e a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), esteve reunida esta sexta-feira no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa, com a administração da CP – Comboios de Portugal e com representantes do Governo, num encontro mediado pelo advogado Guilherme Dray.

“Tomámos já uma primeira posição. A proposta é insuficiente, não supera, nem de perto nem de longe, as expectativas dos trabalhadores. Nas cláusulas pecuniárias, o aumento não se traduz num valor significativo”, defendeu, em declarações à Lusa, o dirigente do SNTSF, Abílio Carvalho.

De acordo com este representante, por exemplo, é proposto, no subsídio de escala, um aumento inferior a um euro para os 18,30 euros, enquanto no que concerne ao subsídio de refeição, até aqui nos 6,86 euros, é proposta uma atualização para 7,10 euros este ano e para 7,30 euros em 2020.

Uma das situações que mais mereceu o desagrado da comissão sindical foi a ausência de uma valorização adequada para os trabalhadores das bilheteiras e da revisão.

Atualmente estes trabalhadores recebem um abono para falhas que varia, em média, entre os seis euros e os 15 euros mensais. A proposta da empresa prevê que esta rubrica possa ser aumentada, gradualmente, de acordo com a receita que cada trabalhador consiga angariar diariamente.

Já no que se refere a diuturnidades, cujo valor está congelado, desde 2009, em cerca de 22,70 euros, a oferta prevê uma atualização para 23,50 euros este ano e para 24 euros em 2020.

Por fechar ou sem proposta, estão ainda rúbricas como o subsídio de transporte.

No total, a proposta da CP prevê a distribuição de dois milhões de euros, em três anos, por cerca de 2.700 trabalhadores da empresa ferroviária, valor que os sindicatos voltam a classificar como insuficiente.

Porém, a estrutura negociadora admitiu que a transportadora mostrou já alguma abertura, pelo menos, no que diz respeito ao pagamento de retroativos, apesar de ainda não ter sido firmado um acordo nesta matéria.

“Houve abertura, mas ainda não está firmado, para que a retroatividade seja a janeiro de 2019. Temos um acordo, firmado em fevereiro de 2018, com a CP, que prevê a aplicação em outubro de 2018 e, por isso, entendemos que os retroativos têm que ser [contabilizados a partir dessa data]. Houve abertura [por parte da empresa] apenas para ser a partir de janeiro de 2019, agora vamos ver se há alterações”, notou.

Para já, os sindicatos estão a analisar as propostas e as medidas a tomar.

“Esperamos que na próxima reunião haja bom-senso do Governo e da CP e que sejam [renegociadas] algumas questões que foram colocadas em cima da mesa”, afirmou Abílio Carvalho.

O sindicalista garantiu ainda à Lusa que no próximo dia 23 vão apresentar à CP outro caderno reivindicativo com várias medidas, como o aumento mensal de 90 euros por trabalhador, ou, sensivelmente, três euros por dia.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Aumentos propostos pela CP são “insuficientes” mas ainda podem ser renegociados, dizem sindicatos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião