Falhas nos comboios e aeroporto penalizam competitividade portuguesa. Portugal está em 34.º no ranking mundial

Portugal está menos competitivo no campeonato das infraestruturas. O país caiu no ranking da eficiência dos serviços de comboios e do transporte aéreo, mostra o relatório mundial de competitividade.

O transporte público ferroviário em Portugal tem enfrentado falhas no serviço por falta de investimento, um facto que penalizou a competitividade do país.

Portugal está a perder competitividade no campeonato das infraestruturas. O Relatório Global da Competitividade 2019, publicado esta terça-feira pelo Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês) — que coloca Portugal em 34º lugar em termos globais, a mesma que no ano anterior — não deixa margem para dúvidas: comparativamente com o ano passado, o país deu um “trambolhão” em aspetos como a eficiência do transporte público ferroviário, mas também na eficiência dos aeroportos e dos portos e na qualidade das estradas.

No indicador “eficiência do serviço de comboios” — integrado no pilar das infraestruturas, um dos 12 analisados pelo relatório do WEF –, Portugal caiu nove posições face a 2018, passando da 23.ª para a 32.ª, num aspeto do ranking que tem o Japão à cabeça. O fenómeno pode ser explicado com as falhas no serviço da empresa pública CP, que deram origem a muitas queixas dos utentes no final do ano passado.

A par com a ferrovia, a “eficiência dos serviços de transporte aéreo” em Portugal também recuou 16 posições face a 2018, numa altura em que são conhecidas as dificuldades no Aeroporto de Lisboa, o maior do país. Enquanto, em 2018, Portugal se situava na 33.ª posição, o país “caiu” para o 36.º lugar na edição do ranking publicada esta terça-feira.

No que toca aos portos, o país perdeu dez lugares na eficiência dos serviços portuários, ficando em 36.ª lugar, que pode refletir a situação de greves nos portos do país, com especial destaque para o porto de Setúbal, que acabou por afetar as exportações da Autoeuropa e que teve reflexo nos dados do comércio externo a nível nacional. Já quanto à qualidade das estradas e autoestradas, Portugal recuou menos, mas passou da 5.ª posição para a 8.ª posição, continuando este a ser, ainda assim, um dos aspetos em que o país se encontra mais bem posicionado em termos de competitividade.

O relatório do WEF, que analisa a competitividade de 141 países, reflete, assim, o menor investimento público nas infraestruturas, que motivou críticas da oposição ao primeiro Governo liderado por António Costa. De acordo com as estimativas do INE, em 2018, o investimento público terá sido de 3,79 mil milhões de euros. Apesar do agravamento destes indicadores, o país melhorou em aspetos como a estabilidade financeira, o financiamento das empresas e a solidez do sistema bancário, entre outros, tendo ficado na 34.ª posição no ranking global.

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