Travão no automóvel faz derrapar crédito ao consumo. Foram 637 milhões em agosto

O crédito ao consumo disponibilizado pelos bancos e financeiras recuou entre julho e agosto, para um total de 637 milhões de euros. Quebra de 19% nas vendas de carros ajuda a explicar.

Os portugueses foram buscar menos dinheiro aos bancos e às financeiras para consumo, em agosto. Nesse mês, foram disponibilizados 637 milhões de euros em empréstimos com esse fim, uma quebra de 50 milhões face a julho. Essa redução deve-se à contração do financiamento para a compra de carro, num mês em que as vendas de carros caíram 19%.

Estatísticas divulgadas pelo Banco de Portugal, nesta terça-feira, mostram que os bancos e as financeiras concederam 637 milhões de euros em crédito ao consumo, em agosto. Apesar de, em termos homólogos, se tratar de um novo máximo, isto tendo em conta o histórico da entidade liderada por Carlos Costa que se inicia em 2013, esse montante corresponde a uma redução de 7,35% face ao montante disponibilizado em julho.

A quebra das quantias disponibilizadas em crédito ao consumo em agosto resulta da contração do financiamento para a aquisição de carro. Nesse mês, foram concedidos 261,3 milhões de euros em crédito automóvel, uma redução de 12,43% face a julho e de 8,07% quando comparado com o mesmo mês do ano passado.

A contração do financiamento automóvel acontece num mês que foi marcado por uma quebra acentuada nas vendas de carros em Portugal. Estas recuaram pelo sétimo mês seguido, em agosto, sendo que nos ligeiros de passageiros novos se verificou “uma acentuada queda homóloga de 19%”, segundo revelou a ACAP.

Dentro do segmento automóvel, apenas na locação financeira ou ALD de usados se verificou um aumento do financiamento disponibilizado. Em agosto, os bancos e as financeiras concederam 9,7 milhões de euros em empréstimos com esse fim, 0,97% acima do mês anterior e superior em 3% face ao período homólogo.

Nos restantes segmentos, observaram-se quebras. O novo financiamento de carros novos em locação financeira ou ALD totalizou 27 milhões de euros em agosto, ficando 16,7% aquém do verificado em julho e 18,6% abaixo do período homólogo. Já o crédito com reserva de propriedade de novos ascendeu a 56,7 milhões de euros. Ou seja, menos 18,26% que em julho e 16,41% inferior ao valor concedido em agosto do ano passado.

Por sua vez, no financiamento com reserva de propriedade de usados que representou a maior fatia dos valores concedidos ocorreu uma redução de 10,68%, em termos mensais, e de 3,41% numa base homóloga. No total, foram disponibilizados 167,9 milhões de euros através deste tipo de financiamento.

Crédito ao consumo trava em agosto

Fonte: Banco de Portugal

Também no que respeita aos outros créditos pessoais, categoria onde se inserem financiamento sem fim específico e para a compra de equipamentos para o lar ou viagens, ocorreu uma redução dos valores disponibilizados, em agosto. Foram 271,4 milhões de euros, um valor inferior em 7,75% face ao verificado em julho. Comparando com agosto do ano passado, contudo, assistiu-se a um aumento de 16,16%.

Nas restantes categorias de financiamento para consumo, a tendência global foi de subida. Através de cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto, foram concedidos aos portugueses 94,1 milhões de euros, em agosto. Ou seja, 10,68% acima do valor verificado em julho e 16,99% superior ao financiamento concedido em agosto do ano passado.

Já o crédito pessoal com finalidade de educação, saúde, energias renováveis e locação financeira de equipamentos, os valores concedidos totalizaram 10,2 milhões de euros, 2,63% acima de julho e 42% superior ao registado no período homólogo.

(Notícia atualizada às 12h00 com mais informação)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Travão no automóvel faz derrapar crédito ao consumo. Foram 637 milhões em agosto

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião