Estado vende terreno nos Olivais. Espanhóis pagam 38 milhões

O Estado vendeu um terreno com 42.155 metros quadrados em Lisboa por mais do que estava a pedir. O lote foi comprado por uma sociedade portuguesa, mas com acionistas espanhóis.

O Estado vendeu um terreno com 42.155 metros quadrados nos Olivais, em Lisboa, por 38 milhões de euros, três milhões de euros a mais do que estava a pedir. Os novos donos são uma sociedade portuguesa, mas representada por espanhóis da Acciona Real Estate, apurou o ECO. O projeto, que prevê a construção de três edifícios, um deles com 135 metros de altura, ainda tem de ser alterado.

A Estamo, a imobiliária do Estado, pedia 34,9 milhões de euros por este lote de terreno e recebeu três propostas, todas com valores superiores. A escolhida foi a de valor mais elevado e foi apresentada pela Guadamad 2 Development — 38 milhões de euros, lê-se no site da Estamo.

De acordo com os dados societários, esta sociedade portuguesa foi criada em julho deste ano, poucos dias antes de ser assinado o contrato de compra e venda deste lote na Av. Dr. Alfredo Bensaúde. A finalidade? “Compra e venda de imóveis e revenda dos adquiridos para esse fim, realização de investimentos e promoções imobiliárias de qualquer natureza, gestão e exploração de imóveis, próprios ou de terceiros, incluindo em regime de alojamento local ou através de arrendamento, cessão de exploração ou outros”.

Contudo, os responsáveis da Guadamad 2 Development são todos espanhóis e três deles trabalham na Acciona Real Estate, um braço imobiliário da Acciona: Eva García San Juan (como presidente) é diretora económica e financeira da Acciona Real Estate, Álvaro Tejero é diretor do departamento internacional e Rafael Mareca é diretor do departamento jurídico, apurou o ECO. Questionada, a Acciona Real Estate não quis confirmar se está, ou não, envolvida diretamente na operação.

Esta não seria a primeira operação da Acciona em Portugal, que é considerada uma das três maiores construtoras de Espanha. Em novembro do ano passado, a empresa estreou-se em território nacional com o desenvolvimento de 100 casas no centro de Lisboa, num investimento de 40 milhões de euros, através de uma parceria com a Clever Red, do empresário Carlos Cercadilllo. Em fevereiro deste ano comprou um imóvel na Estrela.

PIP chumbado. Projeto precisa de alterações

Em novembro do ano passado, a Estamo entregou à Câmara de Lisboa (CML) um Pedido de Informação Prévia (PIP) para a construção de um projeto de habitação, escritórios e comércio nestes terrenos. A proposta prevê que quase metade do terreno seja ocupado por espaços verdes, enquanto a outra metade será destinada a edifícios de habitação, escritórios, comércio e equipamentos, num total de 71.000 metros quadrados.

Ao todo estão previstos três edifícios — um com cinco pisos e duas caves e outro com dois pisos e quatro caves –, mas há um terceiro que se destaca ao prever 30 pisos acima do solo, num total de 135 metros de altura, para além de sete caves e 550 lugares de estacionamento. Este será destinado exclusivamente a habitação.

Torre nos Olivais, EstamoEstamo

Na última resposta do Departamento de Licenciamento de Projetos Estruturantes, de 17 de abril, lê-se que o projeto tem de ser revisto. “Face ao exposto e, atendendo aos pareceres técnicos admitidos, sem prejuízo daqueles em falta, entende-se que a solução urbana proposta necessita de ser revista (…) pelo que se conclui que a mesma não tem viabilidade para prosseguir“.

Este terreno esteve afeto a utilização militar e, em 2002, o Estado decidiu vendê-lo a si próprio, de acordo com o Público. O processo de venda aconteceu através da Sagestamo, sociedade pública de gestão imobiliária, que criou a empresa Bensest exatamente com esse objetivo. Foi vendido na altura por 32,5 milhões de euros e, agora, o Estado arrecadou 38 milhões de euros.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Estado vende terreno nos Olivais. Espanhóis pagam 38 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião