Da McDonald’s à H&M, quando as marcas metem o pé na argola

  • ECO
  • 1 Novembro 2019

Não foi só a McDonald's a criar uma campanha que deu para o torto. Outras marcas já passaram por crises semelhantes por causa de anúncios que não deram certo. Recorde alguns desses casos.

Há campanhas publicitárias que ganham prémios. Outras que têm frases que nunca nos vão sair da memória. Depois há também aquelas que ficam para história… pelos piores motivos.

A McDonald’s Portugal foi a última empresa a ter de gerir uma crise por causa de um anúncio que não deu certo. Esta quinta-feira, por ocasião do Dia das Bruxas, a marca desenhou uma campanha na qual oferecia um gelado Sundae na compra de outro. Para tal, a McDonald’s usou a frase “Sundae Bloody Sundae”, uma alusão à música “Sunday Bloody Sunday”, da banda de rock irlandesa U2.

Mas a faixa do álbum “War” é uma homenagem às vítimas do incidente que marcou o domingo de 30 de janeiro de 1972 na Irlanda do Norte, em que soldados britânicos dispararam sobre 28 civis desarmados, matando 14 pessoas. A polémica instalou-se nas redes sociais e a empresa viu-se obrigada a retirar os cartazes, bem como a pedir desculpa.

Este está longe de ser um caso único. A popularidade das redes sociais tornou mais fácil transmitir mensagens e facilitou a vida a muitos anunciantes, mas também é mais difícil prever e antecipar todos os efeitos que um anúncio publicitário pode vir a ter. Abaixo, recorde outros casos em que ações promovidas por marcas fizeram fizeram o tiro sair pela culatra.

ANA manda fugir do Algarve e ir passar férias a França

Foi este verão. A ANA – Aeroportos de Portugal levou a cabo uma campanha publicitária no Aeroporto de Faro que recomendava aos portugueses irem passar férias a França. A frase: “Foge da confusão algarvia e descansa em França!”, acompanhada por uma imagem de Marselha.

O caso chegou ao Governo, que pediu que a publicação fosse retirada de imediato. “O Governo, assim que tomou conhecimento da situação, pediu explicações à ANA e pediu de imediato que fossem tomadas medidas para retirar uma publicação que é contrária aos interesses do país, dos portugueses e da economia nacional”, disse na altura fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e Habitação.

Nas redes sociais também surgiram críticas, muito pelo facto de a ANA ser detida pela Vinci, que é uma empresa francesa.

Câmara de Lisboa ataca Trump… com erro

As Presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump coincidiram com o Web Summit em Lisboa, a primeira edição em que a feira se realizou em Portugal. A Câmara Municipal de Lisboa quis picar o ponto e espalhou pela cidade uma mensagem irónica e anti-Trump.

Ma a campanha acabou por ser viral por outro motivo: um erro ortográfico. “In the free world, you can still find a city to live, invest and build your future. Making brigdes. Not walls.” A autarquia queria passar a mensagem: “No mundo livre ainda pode encontrar uma cidade para viver, investir e construir o seu futuro. Construindo pontes, não muros”, uma alusão ao muro para travar a imigração, que foi uma das promessas eleitorais do presidente.

O problema está na palavra brigdes, onde deveria estar escrito bridges. A palavra inglesa para “pontes”.

O cartaz com erro no Web Summit 2016.Paula Nunes / ECO

Olá! “Ganhas-te” um brinde

E por falar em erros, a marca de gelados Olá enfrentou uma situação semelhante. “Ganhas-te um brinde Olá!”, lia-se num material publicitário da marca, referente ao Dia da Criança.

Noutro material da mesma campanha, a marca colocava outra questão. E, novamente, lá estava o erro ortográfico: “Já experimentas-te os chocolates Olá?”

O caso gerou críticas à marca nas redes sociais, por promover um erro junto das crianças. A Unilever, dona da marca, acabou por decidir pôr fim à campanha.

“O macaco mais cool da selva”

A H&M esteve debaixo de fogo no ano passado por causa de uma camisola, à venda no site da marca, que foi considerada racista.

A marca recorreu a uma criança africana para promover uma hoodie verde com a inscrição: “Coolest monkey in the jungle” — ou, em português, “o macaco mais cool da selva”.

Nas redes sociais, o caso foi apelidado de “inapropriado”, “nojento” e “negligente”.

Pepsi fez “vudu” a Portugal e a Ronaldo

A Pepsi promoveu uma campanha na Suécia com um boneco de vudu vestido com as cores da seleção. A intenção era o boneco ser semelhante a Cristiano Ronaldo e mostrava a figura a ser atropelada por um comboio ou esmagada por uma lata.

“Vamos passar por cima de Portugal!” era o título do anúncio, que foi divulgado pouco antes de a seleção portuguesa de futebol defrontar a seleção sueca.

A marca viu-se obrigada a pedir desculpa a Portugal e a Cristiano Ronaldo… e a Suécia foi batida pela seleção nacional por três bolas a duas.

Cerveja Tagus promove o “orgulho hetero”

Lembra-se da cerveja Tagus? A marca envolveu-se numa polémica em 2007 com uma campanha em múpis que promovia o “orgulho heterossexual” e o “convívio” masculino com o sexo oposto.

Havia até um portal online, em www.orgulhohetero.com. O objetivo? “Criar uma comunidade que se orgulha de ser heterossexual estabelecendo relações no site”.

O caso gerou gerou muita polémica e chegou a motivar queixas no então Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade (ICAP).

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Da McDonald’s à H&M, quando as marcas metem o pé na argola

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião