IPO da Saudi Aramco começa a 17 de novembro, mas ainda não há preço

O prospeto daquela que poderá ser o maior IPO de sempre já é conhecido, mas tens poucas informações sobre a operação. Preço e número de ações a vender ainda não são conhecidos.

A Arábia Saudita deu mais um passo para a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da petrolífera Saudi Aramco. O prospeto da operação foi publicado pelo regulador este sábado à noite, mas os pormenores são poucos. A oferta começa no próximo domingo, 17 de novembro, mas não há preço nem número de ações a vender. Dependendo do preço das ações e da percentagem do capital que fique para grandes investidores, este poderá ser o maior IPO de sempre, superando a operação da Alibaba em 2014. São assim os riscos que mais captam a atenção.

O reino já tinha anunciado que estava para breve e agora confirmou a data de início que já se esperava, com a publicação de um prospeto com mais de 650 páginas. Será vendido 0,5% do capital da petrolífera estatal Saudi Aramco a investidores de retalho, enquanto a parte que é reservada a institucionais ainda não é conhecida e vai depender dos negócios que se fecharem no roadshow que está a acontecer.

O príncipe Mohammed bin Salman aponta para uma avaliação de dois biliões de dólares, o que significaria que aforradores poderiam ficar com 10 mil milhões de dólares em ações. No entanto, e apesar de as avaliações dos bancos serem muito díspares (com uma diferença superior a um bilião de dólares entre as mais otimistas e as mais conservadoras), quase todos indicam que a estimativa é demasiado elevada.

O prospeto não indica em que é o financiamento conseguido será utilizado, mas o reino saudita — que anunciou a operação há mais de três anos — tem dito que o objetivo é diversificar a economia do país, diminuindo a dependência do petróleo.

Terrorismo, cortes de produção e sanções dos EUA entre os riscos

Além da volatilidade do preço do petróleo, o principal risco assinalado no prospeto da operação é o potencial de ataques terroristas. A empresa, que é a mais rentável do mundo, sofreu um revés nos últimos meses. A petrolífera sofreu um ataque com drones levado a cabo por um grupo rebelde do Iémen, que afetou metade da produção durante parte do mês de setembro.

Afetada pelo ataque, bem como pela desvalorização de 11% do preço do crude, os lucros afundaram 18% nos primeiros nove meses de 2019. Apesar do tombo, os resultados líquidos atingiram ainda assim 68,2 mil milhões (mais que a empresa cotada com maiores lucros, a Apple) entre janeiro e setembro.

Ainda sobre a produção da petrolífera, é possível que haja limitações na produção de petróleo decididas pelo Governo saudita ou acordadas no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que levem a Aramco a dedicar-se a projetos fora do negócio core.

A petrolífera saudita alerta também para mudanças de legislação, nomeadamente para a lei norte-americana Justice Against Sponsors of Terrorism Act (Jasta) que pode facilitar que os EUA sancionem a Arábia Saudita. Riscos associados à moeda saudita, o ryal, (que levem a empresa a precisar de usar reservas financeiras) ou a alterações climáticas (que alterem a procura por petróleo) são ainda apontados no prospeto da operação.

Ao longo da próxima semana, irá continuar o roadshow para cativar grandes investidores. Para contrabalançar estes riscos, a Arábia Saudita já acenou tanto com a diminuição de impostos pagos pela petrolífera como com dividendos de 100 mil milhões. O IPO vai decorrer entre 17 e 28 de novembro para instituições e até 4 de dezembro para retalho.

O preço final será conhecido apenas no dia seguinte, dia 5 de dezembro. O prospeto acrescenta ainda que dois períodos diferentes de lockup. Após ser cotada em bolsa, o que está previsto para dia 11 de dezembro, a Aramco não poderá irá colocar à negociação mais títulos durante um período de seis meses e não poderá emitir novas ações ao longo de 12 meses.

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