Juros dos novos créditos da casa estão pela primeira vez abaixo de 1%

Spreads cada vez mais baixos e indexantes negativos conduzem a taxas de juro cada vez mais baixas. Taxa média dos novos créditos feitos em setembro foi de 0,95%, um mínimo histórico.

Nunca as famílias portuguesas com crédito à habitação viveram um período tão favorável como agora. Os níveis historicamente baixos dos juros de referência, mesmo negativos, têm-lhes permitido ao longo dos últimos anos poupanças recorde nos encargos com as prestações da casa. E quem está atualmente à procura de financiamento para adquirir habitação também tem razões para sorrir. Pela primeira vez, os juros médios dos novos empréstimos ficaram abaixo dos 1%.

Dados revelados pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira mostram que a taxa de juro dos novos créditos para a compra de casa contratualizados em setembro situou-se nos 0,95%, em média. Trata-se de um novo mínimo de sempre e a primeira vez em que a fasquia dos 1% é quebrada, considerando o histórico do BCE com início em janeiro do ano 2000.

Este novo mínimo recorde de juros resulta da combinação de dois efeitos. Por um lado da persistência em torno de mínimos históricos dos indexantes usados no grosso dos empréstimos para a compra de casa em Portugal, e por outro da aplicação de spreads cada vez mais baixos pelos bancos.

Juro médio dos novos créditos da casa abaixo dos 1%

Fonte: BCE

Os indexantes usados no grosso dos empréstimos para a compra de casa em Portugal fixaram novos mínimos de sempre entre o final de agosto e o início de setembro. A Euribor a 12 meses, a taxa que praticamente todos os bancos usam como referência nos novos empréstimos da casa, atingiu em agosto — mês que serve para os cálculos dos juros em setembro — um valor médio de -0,356%.

Já no que respeita aos spreads, desde o início do ano, houve sete bancos a rever em baixa as margens mínimas que estão disponíveis a cobrar aos clientes para lhes financiar a compra de casa. Tal leva a que atualmente, os spreads mínimos em vigor nos dez bancos mais representativos do mercado de crédito à habitação em Portugal caibam no intervalo entre 1% e 1,25%.

Spreads mínimos por banco

Descontando à taxa de juro média dos novos empréstimos da casa disponibilizados pelos bancos em setembro (0,95%), a média da Euribor a 12 meses em agosto (-0,356%), resulta num valor de 1,306%. Este será uma aproximação ao valor do spread médio que os bancos estão a exigir aos clientes nos novos financiamentos para a compra de casa. Ou seja, bastante próximo das respetivas margens mínimas de spreads.

Este valor está aquém do spread de 1,5% que os bancos aplicaram em 2018, em média, segundo dados revelados pelo Banco de Portugal no final de julho.

Essa tendência decrescente acontece num quadro em que os bancos nacionais têm a “torneira do crédito” totalmente aberta. Entre o início de janeiro e o final de agosto, a banca disponibilizou quase 6,9 mil milhões em financiamento para a aquisição de habitação: 5,7% acima do verificado no mesmo período de 2018 e o valor mais alto desde também 2010.

Só em agosto foram disponibilizados 975 milhões de euros em empréstimos com esse fim, um máximo desde a entrada em vigor — em julho de 2018 — da medida macroprudencial do Banco de Portugal que pretende colocar um travão à concessão de crédito, visando evitar o incumprimento das famílias e prevenir riscos para a economia.

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