Moody’s atribui perspetiva negativa aos créditos soberanos mundiais em 2020

  • Lusa e ECO
  • 11 Novembro 2019

A agência de rating Moody's considera que uma "política imprevisível cria um ambiente económico e financeiro imprevisível", que pode dar azo a volatilidade nos mercados ou mudanças de sentimento.

A agência de ‘rating’ Moody’s atribuiu esta segunda-feira perspetiva negativa aos créditos soberanos para 2020, devido ao ambiente político “imprevisível e disruptivo” a nível mundial, alertando também para os efeitos do populismo e do enfraquecimento das instituições.

“Um ambiente político e geopolítico disruptivo e imprevisível está a exacerbar a descida gradual da tendência de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], agravando constrangimentos estruturais e aumentando o risco de choques financeiros ou económicos”, indica a Moody’s num relatório sobre as perspetivas de crédito soberano a nível mundial.

No documento, a Moody’s considera que “política imprevisível cria um ambiente económico e financeiro imprevisível, propenso a volatilidade nos mercados financeiros e de matérias-primas, e a acentuadas mudanças de sentimento”.

A agência de notação financeira indica que “a mais forte manifestação do impacto de tensões geopolíticas é a disrupção no comércio, que resulta sobretudo das disputas entre os Estados Unidos e a China”.

“O ambiente político antagónico também está a enfraquecer as instituições nacionais e globais, diminuindo a capacidade de absorver choques por parte dos soberanos com ‘fardos’ de dívida muito elevados e baixas margens orçamentais”, prossegue a agência.

A Moody’s sustenta que os ambientes de confronto político domésticos e globais evoluíram de um catalisador de riscos para um motor de menor crescimento e de maiores riscos de choque.

“Em muitas economias desenvolvidas e em alguns mercados emergentes, influentes movimentos populistas emergiram nos últimos anos, tanto vindos das periferias políticas como de partidos estabelecidos, muitas vezes em reação à estagnação de rendimentos ou a maiores desigualdades salariais”, de acordo com a agência.

O populismo é também referido na perda de influência das instituições, e a Moody’s assinala que a sua avaliação sobre “a força das instituições soberanas a nível mundial, em geral, se deteriorou nos últimos cinco anos”, continuando “sob pressão em 2020 e depois”. Segundo a instituição norte-americana, o atual ambiente também leva a maior dificuldade na resposta a choques económicos, a nível mundial.

“A erosão da coesão, evidente num enfraquecimento continuado dos modelos de trabalho multilaterais, como o G20 ou a OMC [Organização Mundial do Comércio], sem mencionar as tensões inerentes a disputas comerciais ou outras, sugere que a comunidade internacional teria dificuldades em responder cooperativamente a um choque de confiança agudo que necessitasse de uma coordenação de políticas significativa”, pode ler-se no relatório.

A Moody’s considera inclusivamente que os decisores políticos “estão mal posicionados para lidar com uma crise, e as instituições mundiais domésticas e multilaterais são as mais fracas para isso”.

Moody’s reconhece impacto positivo de políticas monetárias acomodatícias

A agência de notação financeira Moody’s reconhece, num relatório divulgado esta segunda-feira, o impacto positivo das políticas monetárias acomodatícias nas economias desenvolvidas, mas alerta para o facto de poderem esconder um ambiente económico menos positivo.

“As economias desenvolvidas beneficiaram de condições favoráveis de financiamento proporcionadas por políticas monetárias acomodatícias”, considera a Moody’s no relatório sobre crédito soberano divulgado esta segunda-feira.

De acordo com a Moody’s, “custos mais baixos dos juros ajudaram a diminuir défices orçamentais e em alguns casos apoiaram a reversão de trajetórias de dívida anteriormente crescentes”. A agência refere ainda que “alguns soberanos aproveitaram a oportunidade para aumentar as maturidades e fixar as baixas taxas de juro, ajudando a recuperar algum espaço orçamental perdido”.

A Moody’s alerta, no entanto, que as condições favoráveis de financiamento “contribuíram, sem dúvida, para a diminuição do ritmo reformista nos últimos anos, fomentando um nível de complacência que deixa muitos soberanos ainda altamente expostos a futuros aumentos nas taxas de juro” ou a outros choques.

“Condições monetárias soltas apoiam o crescimento a curto prazo, mas o seu impacto a longo prazo é incerto e introduzem distorções“, pode ler-se no relatório. Quanto ao futuro, a agência afirma que a eficácia da continuação de uma política monetária ainda mais acomodatícia “ainda está por se ver” num ambiente de baixas taxas de juro.

“Em princípio, as condições favoráveis de financiamento proporcionadas pelo estímulo monetário devem apoiar maior consumo e investimento e criação de emprego durável. Na prática, no entanto, os decisores políticos têm pouca experiência de implementar uma ainda mais solta política monetária por cima de níveis já altamente acomodatícios”, adverte a instituição sediada em Nova Iorque.

A Moody’s considera que “taxas de juro persistentemente baixas podem levar a distorções que podem dificultar o crescimento a longo prazo e criar riscos”, nomeadamente relacionados com preços nos mercados financeiros, maior alavancagem ou menores incentivos para poupar.

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