Aumento do salário mínimo para 635 euros era “linha vermelha”, mas UGT quer mais

À saída da reunião de concertação social, Carlos Silva disse que o aumento para 635 euros era a linha vermelha da UGT. Mas valor não é suficiente para "Portugal sair da cauda Europa".

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, demonstrou-se satisfeito com a proposta apresentada pelo Governo em aumentar o salário mínimo nacional para 635 euros já a partir de 1 de janeiro de 2020, mas quer mais. Carlos Silva desvalorizou ainda os “cenários catastróficas da parte das entidades empregadoras”, que referiram que a economia portuguesa poderia não suportar este aumento.

A UGT já tinha determinado que para nós a linha vermelha seriam os 635 euros“, começou por dizer o líder da central sindical, em declarações transmitidas pela RTP3, acrescentando que “o fundamental é que os trabalhadores portugueses com o salário mínimo nacional vejam o seu rendimento bruto aumentado, pelo menos, em 35 euros a partir de janeiro”.

Segundo Carlos Silva, a proposta do Governo “teve o apoio da UGT” e vai ser avaliada, “ano após ano, até se atingir os 750 euros”. O líder da central sindical acredita que este aumento vai “impulsionar a subida geral dos salários” e avançou que já há até uma reunião marcada com o Governo para dia 27 de novembro, no sentido de começar a discutir-se “um acordo sobre a política de rendimentos, competitividade e preços”. A ideia passa por recuperar a tradição da década de 80 de estipular um referencial para a contratação coletiva que era acordado em concertação social.

Para a UGT o aumento de 750 até ao final da legislatura não é suficiente para Portugal “sair da cauda da Europa”, mas já é um “princípio”. “Temos de combater a pobreza, as desigualdades. Portugal tem de sair da cauda da Europa e não é com 750 euros em 2023 que isso vai acontecer. Mas de qualquer forma, isto é um princípio que apoiamos“.

Questionado se estaria disposto a mexer no Fundo de compensação salarial, Carlos Silva não descarta essa possibilidade, mas é cauteloso. “Este dinheiro são muitos milhões e também não queremos que sirva de apelo de glutão, para um qualquer Governo tal qual como aconteceu com os fundos pensões da banca para o Estado, para resolver problemas de défice ou que venha também a acontecer para tapar buracos orçamentais“, assinalou.

O líder da UGT desvalorizou ainda o “cenário muito catastrofista da parte das entidades empregadoras”, sublinhado que também a central sindical faz a mesma leitura “com base nos cenários macroeconómicos, no crescimento, na produtividade, na inflação e também no esforço que o salário mínimo representa para Portugal”, disse ainda nas declarações no final do encontro com o Governo.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Aumento do salário mínimo para 635 euros era “linha vermelha”, mas UGT quer mais

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião