Mãos livres é tão perigoso quanto segurar no telemóvel a conduzir

  • ECO Seguros
  • 13 Novembro 2019

Estudos da PRP e da Liberty revelam que conduzir e falar ao telefone resulta numa igual distração cognitiva com o aparelho na mão ou através de um sistema alta voz. E é hábito de 74% dos portugueses.

“A utilização de sistemas mãos-livres, apesar de ser legal, não tem vantagens significativas em relação a falar com o telemóvel na mão, uma vez que a distração cognitiva que provoca — o tipo de distração que mais influencia negativamente a condução — é semelhante à provocada por falar com o telemóvel na mão”, alertou José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, ao apresentar em conjunto com a Liberty Seguros, os dados sobre a utilização de telemóveis durante a condução extraídos do estudo “Global Driving Safety Survey”, desenvolvido pela Liberty Mutual, empresa mãe da Liberty em Portugal.

Apesar de reconhecerem o risco associado à utilização do telemóvel durante a condução, 43% dos inquiridos portugueses consideram aceitável falar ao telemóvel recorrendo aos sistemas de alta voz (33,8% na UE) e apenas 1,6% considera aceitável falar com o telemóvel na mão (3,5% na UE), o que revela a desvalorização do risco associado à distração cognitiva causada pelos sistemas de alta voz.

Analisando o manuseamento do telemóvel durante a condução, resultados de outro estudo realizado no ano passado, o E-Survey of Road users’ safety Attitudes, onde foram inquiridas 35.036 pessoas (dos quais 998 portugueses), através de um consórcio internacional do qual a PRP faz parte, mostram uma maior utilização do telemóvel nos condutores portugueses, comparativamente à média da União Europeia (EU).

Os resultados indicaram que, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias, 37,4% falaram ao telemóvel segurando-o na mão (28,6% na UE) e 65,7% realizaram chamadas com sistema mãos livres (47,7% na UE).

3 em cada 4 portugueses utilizam o telemóvel durante a condução

O estudo da Liberty Mutual designado Global Driving Safety Survey avaliou o comportamento e as atitudes dos condutores em seis países onde a seguradora está presente – Portugal, Espanha, França, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos.

Considerou as respostas de 5.004 cidadãos europeus (1.000 portugueses, 1.006 espanhóis, 1.006 franceses, 992 irlandeses e 1.000 britânicos) e de 3.006 norte-americanos e concluiu que os portugueses estão entre os condutores que mais utilizam o telemóvel enquanto conduzem – 74% – seguidos por 67% dos irlandeses e dos norte-americanos, 58% dos franceses, 55% dos espanhóis e 47% dos britânicos.

Quanto às formas de utilização do telemóvel, 69% dos portugueses inquiridos admitem olhar para mensagens e chamadas que estão a receber, 52% olham para as notificações, 26% leem e-mails e mensagens, 25% fazem e enviam mensagens de áudio, 20% utilizam apps, 19% enviam e-mails e mensagens e 18% utilizam apps de redes sociais.

Ao mesmo tempo, apenas 13% dos portugueses inquiridos garantem que colocam o telemóvel fora do alcance durante a viagem de carro. Já no que diz respeito ao volume do toque, 73% diz ter o telemóvel a tocar, 9% em silêncio e 18% em modo vibração.

Perigo para os millennials chama-se FOMO

A utilização do telemóvel durante a condução por gerações, revelou que do total de entrevistados 83% são millennials (nascidos entre anos 1980 e 2000, 76% são da geração X (nascidos entre 1960 e 1980) e 62% são baby boomers (nascidos antes de 1960).

“A Prevenção e Segurança Rodoviária é uma área de importância crítica e estratégica para a Liberty Seguros e este estudo permitiu retirar alguns dados preocupantes, nomeadamente sobre a utilização do telemóvel durante a condução, que é um comportamento mais frequente entre a geração mais nova”, refere Mike Sample, especialista em segurança de condução e consultor técnico da Liberty Mutual.

Para este especialista “a geração millennial já cresceu com estes aparelhos e a principal razão para usarem o telemóvel enquanto conduzem é porque têm medo de perder alguma informação importante, ou de só terem acesso à mesma tarde demais. É o chamado FOMO – Fear Of Missing Out, que aqui se revela ter efeito em áreas sensíveis como a segurança”, conclui Mike Sample.

Do lado da PRP, José Miguel Trigoso afirma que “estes dados sugerem que a dependência do telemóvel e a necessidade de se manterem comunicáveis, quer por questões pessoais ou profissionais, se sobrepõe à consciência, ao utilizarem o telemóvel durante a condução”, alertando para o facto de quem fala para um telemóvel enquanto conduz “está a aumentar o risco de se envolver num acidente rodoviário”.

Na sequência destes estudos, a Liberty Seguros e a PRP irão lançar, até ao final deste ano, uma nova campanha de sensibilização para a utilização dos telemóveis durante a condução, incluindo um alerta pioneiro sobre a utilização do sistema mãos livres.

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