O BCE ganhou tempo, agora é tempo de os governos agirem, diz Carlos Costa

O governador do Banco de Portugal diz que é necessário terminar as reformas da arquitetura financeira europeia para preparar o euro para uma crise. Instabilidade financeira pode alimentar populismo.

O governador do Banco de Portugal instou esta sexta-feira os países do euro a agirem e completarem as reformas da arquitetura financeira europeia, como a União Bancária, dizendo que o BCE permitiu aos países ganhar tempo, mas que agora chegou o tempo dos governos agirem. Carlos Costa avisou que o euro ainda não está totalmente capacitado para enfrentar uma nova crise e que a instabilidade financeira pode permitir o crescimento dos movimentos populistas.

Numa conferência sobre os primeiros 20 anos do euro, organizada pelo banco central, Carlos Costa admitiu que a construção e implementação da moeda única “nunca foi fácil ou consensual”, com muitos a preverem uma vida curta à moeda única, mas que o euro não só sobreviveu como se provou ser um sucesso, apesar dos profetas da desgraça.

“Vinte anos depois, e ao contrário das opiniões dos profetas da desgraça — que parecem ter voltado a ficar muito ativos recentemente — o euro está aqui para ficar”, disse Carlos Costa.

No entanto, depois de enunciar os benefícios que o euro trouxe a todos na Zona Euro, o governador do Banco de Portugal deixou o aviso que ainda há muito por fazer e que uma parte muito importante do trabalho incompleto compete aos governos.

“O BCE ganhou tempo, é tempo de agirem”, disse o governador. Entre o que ainda ficou por fazer, disse, está a finalização da União Bancária, da União dos Mercados de Capitais e a transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Em relação ao fundo de resgate do euro, Carlos Costa defendeu novamente que este deve ser transformado num verdadeiro fundo monetário europeu, integrado na lei europeia e com capacidade financeira alargada.

Sem a finalização destas reformas, diz o governador, a Zona Euro não estará completamente preparada para reagir a uma nova crise e a instabilidade financeira que dai resultaria, poderia alimentar os movimentos populistas que já existem espalhados pelos países europeus: “Temos de ter cuidado para não criar um problema de instabilidade financeira, porque criaria muitos problemas que alimentariam os populismos”, disse.

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