Acordo sobre seguro comum de depósitos “está agora ao alcance”, diz Centeno

  • Lusa e ECO
  • 18 Novembro 2019

Mário Centeno disse que tem havido progressos nas discussões técnicas sobre o sistema europeu de garantia de depósitos e considerou que um acordo político "está agora ao alcance".

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, afirmou esta segunda-feira, perante o Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas, que tem havido progressos nas discussões técnicas sobre o sistema europeu de garantia de depósitos e considerou que um acordo político “está agora ao alcance”.

Temos desenvolvido um importante trabalho técnico sobre o Sistema Europeu de Garantia de Depósitos para abrir caminho a um acordo que, na minha perspetiva, está agora ao alcance”, declarou Centeno, no primeiro “diálogo económico” da nova legislatura com os eurodeputados da comissão de Assuntos Económicos e Financeiros do PE.

Considerado um dos três pilares da União Bancária, este sistema (EDIS, na sigla em inglês) tem conhecido poucos progressos nos últimos anos, muito por “culpa” da oposição da Alemanha, mas, atendendo a recentes sinais de Berlim, este cenário pode mudar em breve, tendo Centeno comentado a propósito que “a iniciativa da Alemanha, no início deste mês, foi da maior importância, e levou a uma discussão construtiva e a uma mudança no estado de espírito em torno deste tema”.

No início de novembro, o ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, manifestou-se favorável a um sistema de garantia de depósitos europeu, considerando fundamental terminar com anos de impasse e concluir a União Bancária, promovendo a integração financeira europeia.

“Vivemos num mundo em que todas as decisões são tomadas em conjunto, num contexto de equilíbrios e de mecanismos de controlo que geram um comportamento virtuoso dos mercados. São temas muito sensíveis dos mercados. Devemos ter muita cautela a tratar delas. Há quatro ou cinco anos tivemos episódios em que esse cuidado não esteve tão presente e percebemos as consequências para todos”, afirmou Centeno, em declarações aos jornalistas após a audição, transmitidas pela RTP3.

Sobre a oposição da Alemanha, o presidente do Eurogrupo, sublinhou que “as condicionalidades não são mais que garantias que todos estamos em condições de avançar“.

Na sua intervenção perante a comissão parlamentar de Assuntos Económicos, Mário Centeno disse esperar também um “ímpeto renovado por parte da nova Comissão Europeia”, liderada por Ursula von der Leyen — que já assumiu a conclusão da União Bancária como uma das suas prioridades –, “e também, claro, do novo PE”, para que se chegue enfim a um entendimento sobre esta “peça fundamental do ‘puzzle'” da União Bancária.

“Estamos agora a aproximar-nos de um roteiro para iniciar discussões políticas sobre uma garantia de depósitos comum”, afirmou.

O sistema europeu de garantia de depósitos serviria de cobertura complementar aos sistemas de garantia constituídos a nível nacional, permitindo assim aos Governos da zona euro respeitarem a obrigação legal de proteger depósitos até 100.000 euros em caso de falência de um banco.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Acordo sobre seguro comum de depósitos “está agora ao alcance”, diz Centeno

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião