Escritórios flexíveis podem gerar lucro de 230 mil milhões às economias locais

Os escritórios flexíveis localizam-se, cada vez mais, fora das grandes cidades, algo que pode contribuir em mais de 230 mil milhões de euros para a transformação das economias locais a nível global.

Os escritórios flexíveis localizam-se, cada vez mais, fora das localidades metropolitanas, algo que está a contribuir para a transformação das economias locais a nível global.

Fugindo dos grandes centros, as empresas procuram agora criar empregos em cidades secundárias e áreas suburbanas. Assim, ao apostarem noutras zonas geográficas, as organizações estão, neste momento, a apostar na economia local, podendo gerar 25 milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto (VAB) para a sua região circundante.

Esta crescente migração de espaços de trabalho para áreas fora das grandes cidades está a criar uma “economia flexível”, contribuindo com mais de 230 mil milhões de euros para as economias locais na próxima década, constata a primeira análise socioeconómica sobre os espaços de trabalho de segunda cidade e subúrbios pedida pela Regus (pioneira no fornecimento dos espaços de trabalho flexíveis). O estudo, que analisou 19 países em todo o mundo, revelou ainda que, em média, são criados 121 novos empregos em comunidades que contêm um espaço de trabalho flexível e cerca de 8,72 milhões de euros vão diretamente para a economia local.

Com o objetivo de melhorar o bem-estar dos funcionários (permitindo que trabalhem mais perto de casa), de diminuir custos e aumentar a produtividade, a implementação de políticas de trabalho flexíveis, por parte das organizações, e que optam por não depender de uma sede, está a alavancar o aumento de trabalho local ao colocar os profissionais a trabalhar fora dos grandes centros e em espaços de trabalho flexíveis.

Um espaço de trabalho flexível individual ou um centro de coworking num local suburbano pode beneficiar a economia local de várias formas, desde criar empregos dentro e fora do centro, estimular empresas e serviços na área próxima, melhorar a produtividade e abrir novas oportunidades de trabalho para quem vive nessas localidades.

“Quando as pessoas se deslocam para as grandes cidades, as carteiras também se deslocam com elas. Trabalhar localmente mantém esse poder de compra mais perto de casa”, esclarece explica Mark Dixon, CEO da IWG (empresa detentora da Regus), em comunicado. O responsável acrescenta que também as empresas reconhecem os benefícios dos espaços mais flexíveis. “As empresas de maior dimensão estão a optar por um modelo imobiliário ‘hub and spoke’. Ao mesmo tempo, as empresas mais pequenas querem agrupar-se e colaborar, pelo que escolhem espaços de trabalho flexíveis para se aproximarem de outras empresas”.

Economias locais e trabalhadores

Para além da criação direta de emprego, os espaços de trabalho flexíveis beneficiam a economia local através de um aumento do Valor Acrescentado Bruto (VAB), a medida do valor dos bens e serviços produzidos numa área. Segundo os dados obtidos pela Regus, um espaço de trabalho flexível médio irá gerar 16,47 milhões de euros por ano, dos quais 9,63 milhões irão diretamente para a economia local (tendo em conta também as perspetivas de ganho para os residentes e empresas dentro do centro que farão mais negócios localmente). Os EUA criaram o maior VAB de um centro individual, contribuindo com 18,88 milhões de euros para a área local, e isso deveu-se, em grande parte, às diferentes economias de custos e ganhos de produtividade entre os países.

Além do impacto financeiro direto, o espaço de escritórios locais virá beneficiar não só as regiões como os trabalhadores podendo ajudá-los a poupar 7.416 horas de deslocações por ano. Algo que, segundo este estudo, também trará benefícios a nível da saúde pois, um trajeto mais curto, reduz os níveis de stress, aumentando, por sua vez, o bem-estar mental dos funcionários.

À medida que os mercados de trabalho se tornam mais rigorosos, os espaços de trabalho locais flexíveis também podem abrir novas vias para os grandes talentos. Este tipo de espaços tem uma vantagem social adicional, fornecendo oportunidades de trabalho a cidadãos que, de outra forma, poderiam ser incapazes de viajar para um escritório. Isto pode incluir pessoas com deficiência e pessoas com necessidades de cuidados especiais.

Os próximos 10 anos

Para além de avaliar o impacto dos centros individuais, a Regus também analisou o potencial estimado de cada mercado para acolher uma carteira nacional mais vasta de espaços de trabalho flexíveis locais. Desta forma, preveem-se potenciais mudanças ao longo da próxima década, refletindo as tendências calculadas em termos de demografia da força de trabalho, mudanças tecnológicas e mudanças nas práticas empresariais.

Caso se mantenham as atuais tendências para o trabalho flexível regional, estas comunidades poderão ver mais de três milhões de postos de trabalho criados até 2029. Tal equivale a uma cidade do tamanho de Buenos Aires sendo que podem ser adicionados às economias locais 230 mil milhões em VAB, o suficiente para construir 360 hospitais de última geração.

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