Jackpot de 14 milhões para o dono da Valouro. Comprou ações do Benfica a um euro e vai vender a cinco

Empresário José António dos Santos é o segundo maior acionista do clube. Investiu cerca de três milhões para conseguir a participação de 12,7% e agora poderá receber 14,6 milhões de euros na OPA.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o Centro de Incubação de Tondela do grupo Valouro em outubro de 2018. (Nuno André Ferreira /Lusa)

O empresário José António dos Santos invadiu as notícias em 2017 quando comprou as participações que a Somague e o Novo Banco detinham no Benfica. Tornava-se então o maior acionista individual do clube, com 12,71% do capital da SAD. O dono da empresa do setor agroalimentar Valouro manteve as ações e prepara-se agora para encaixar 14,6 milhões de euros na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelos encarnados.

José António dos Santos, ao lado do irmão gémeo António José dos Santos, liderou nas últimas cinco décadas o grupo Valouro, que se apresenta como “o maior grupo económico do setor agroalimentar português e um dos maiores da Europa”. Especializado na produção de rações e avicultura, o negócio familiar centenário faturava 292 milhões de euros em 2012 (segundo os últimos dados disponíveis).

Entre março e maio de 2017, o empresário José António dos Santos — que detinha menos de 150 mil ações do Benfica — não deixou passar duas oportunidades de alargar o espetro de atuação e o investimento.

Primeiro, foi a Somague querer vender. A construtora responsável pela obra do Estádio da Luz alienou 840 mil ações, equivalentes a 3,65%, numa operação fora da bolsa realizada a 23 de março. O valor da compra não foi divulgado, mas a preços de mercado a operação estava avaliada em 882 mil euros. Foi o dono da Valouro que ficou com estas ações.

Apenas dois meses depois, foi a vez do Novo Banco sair do capital da SAD, ao vender 1.832.530 ações (equivalentes a 7,97% do capital). Neste caso, o valor foi divulgado: a 1,05 euros por ação, José António dos Santos investiu 1,92 milhões para ficar com esta participação. Entre as duas operações, o empresário comprou em bolsa mais cerca de 100 mil ações. Assim, foram precisos cerca de três milhões de euros para se tornar o segundo maior acionista da SAD, apenas atrás do Sport Lisboa e Benfica.

José António dos Santos manteve a sua participação de 12,71% inalterada desde então, mas tem agora oportunidade de a vender, na OPA parcial e voluntária lançada pelo clube. O Benfica oferece uma contrapartida de cinco euros por ação, que representa um prémio de 81% face à última cotação da ação antes da OPA e pretende igualar o valor pago na oferta pública inicial, em 2001.

Se o empresário de 76 anos resolver vender a totalidade das suas 2.922.387 ações da SAD do Benfica, poderá encaixar mais de 14,6 milhões de euros. Ou seja, excluindo o investimento pago na compra das ações, o ganho poderá superar os dez milhões.

Mas este não é caso único, apesar de ser o mais avultado. O Benfica pretende usar 32,3 milhões de euros para comprar 6.455.434 ações que não detém. Além do dono da Valouro, há outros três acionistas com participações qualificadas que poderão agora vender. Com 3,73%, José da Conceição Guilherme pode encaixar 4,3 milhões de euros, enquanto Joaquim Francisco Oliveira (que tem 2,66%) pode conseguir 3 milhões de euros e a Quinta dos Jugais (que detém 2%) outros 2,3 milhões de euros.

Quem ainda não poderá vender são os sete acionistas que pertencem a órgãos sociais dos encarnados (cujos direitos são imputados ao clube), sendo que seis deles têm participações inferiores a 0,01%. A exceção é Luís Filipe Vieira, que detém 3,2766% do capital. Estes não poderão entrar na operação pelo que a proposta é que a venda desta restante parte do capital seja feita no fim dos respetivos mandatos, o que poderá dar um encaixe de 3,8 milhões de euros ao atual presidente.

Caso a operação seja concluída com sucesso, o capital da SAD que não é controlado pelo Benfica passará a ser cerca de 5%. Apesar disso, o clube garante que não irá retirar a cotada da bolsa de Lisboa.

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