Tecnologia: uma em cada dez mulheres é o único elemento feminino na sua equipa

Primeiro estudo "Pioneers" é apresentado esta tarde, em Lisboa. Conclusões incluíram respostas de mais de 500 mulheres a trabalhar na área tecnológica, em Portugal.

Uma em cada dez mulheres a trabalhar em tecnologia, em Portugal, é o único elemento feminino da sua equipa. A conclusão é do estudo Pioneers, o primeiro feito no país sobre a representatividade feminina no setor tech e divulgado pela comunidade Portuguese Women in Tech (PWiT).

Segundo os resultados, e no que diz respeito à remuneração, 38% das inquiridas refere ter sentido que ganhava menos do que os seus pares apenas por ser mulher e 49% sentiu discriminação nos processos de promoção. A falta de reconhecimento pelas conquistas por ser mulher já foi também sentida por 40% das participantes.

Apresentação do estudo Pioneers, na sede da Deloitte em Lisboa.Portuguese Women in Tech

O estudo conclui que o lento crescimento salarial e a baixa possibilidade de crescimento na carreira são fatores que afastam as mulheres do setor e que justificam a baixa presença feminina nas equipas tecnológicas. Por outro lado, a remuneração competitiva, o crescimento profissional, e o equilíbrio entre vida laboral e pessoal (por esta ordem) são fatores que atraem.

O sexismo foi também um dos tópicos tratados no estudo: 78% das inquiridas admite que já sofreu observações, piadas ou gestos sexistas pelo menos uma vez e 74% já ouviu suposições sobre a sua carreira com base no facto de ser mulher. O estudo também avança que 72% das mulheres sentiu que não foi ouvida até que um homem dissesse o mesmo e, uma em cada cinco mulheres afirma passar por estas situações “com frequência”.

De acordo com as conclusões do estudo, as oportunidades de crescimento, remuneração competitiva e flexibilidade são os aspetos mais valorizados pelas mulheres no setor tecnológico.

As conclusões do estudo, realizado em parceria com a Polar Insight e com o apoio da Deloitte, foram divulgadas esta tarde, em Lisboa, tendo contado com a participação de mais de meio milhar de mulheres que trabalham no setor tecnológico, em Portugal.

“Este estudo é o culminar de um trabalho que temos vindo a desenvolver desde 2016 (…). Pela primeira vez, temos números e insights concretos sobre a realidade nacional e podemos agora lançar mais projetos e iniciativas que respondam da melhor forma às necessidades e desafios identificados”, afirma Inês Santos Silva, cofundadora da comunidade PWiT.

Tecnologia por paixão

Quase metade das inquiridas (48%) revela que enveredou por uma carreira na área tecnológica por paixão. No entanto, a escolha de uma carreira nesta área nem sempre foi pacífica, considerando os setores tradicionalmente associados ao género oposto. Assim, quase metade das mulheres entrevistadas afirma que paixão genuína pela área tecnológica foi o “principal motivo para a opção pelo setor”, seguindo-se razões como a “estabilidade” (uma em cada três mulheres refere este tópico como principal). Terem um trabalho “intelectualmente estimulante” e também a “oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de novos conhecimentos” são as razões que ocupam o terceiro e quarto lugares, respetivamente.

“A aposta na qualificação e valorização de profissionais altamente especializados na área das tecnologias de informação é uma prioridade na estratégia de negócio. Acreditamos que o nosso papel, como líderes de mercado, é de agente de mudança e apoio à diversidade e inclusão”, assinala Gonçalo Simões, sócio e líder de talento da Deloitte.

Já a Polar Insight assinada que retratar as mulheres que trabalham em tecnológica, em Portugal, é uma ajuda à concretização da sua missão enquanto empresa. “O propósito da Polar Insight é criar ambientes de trabalho de confiança ​​e resilientes, onde as pessoas se sintam incluídas e realizadas. Acreditamos que este estudo contribui para essa missão e fornece um banco de dados extremamente necessário, com o qual as equipas se podem inspirar, identificando áreas nas suas próprias organizações que ainda exigem transformações”, sublinha James Tattersfield, managing director da Polar Insight em Portugal.

Quando se fala em procura de novas oportunidades de trabalho, mais de metade chegam às trabalhadoras via LinkedIn (52%) e através de familiares, amigos ou colegas (37%) sendo que, do total de inquiridas, apenas 11% usa plataformas especializadas para procurar trabalho.

“As mulheres inquiridas ainda se mostram muito conservadoras na procura de novo emprego, preocupando-se com a capacidade em preencher todos os requisitos da vaga. De forma geral, candidatam-se a uma posição idêntica àquela que já têm, e muitas vezes vão para empresas concorrentes”, explica o estudo.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Tecnologia: uma em cada dez mulheres é o único elemento feminino na sua equipa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião