Ao ritmo atual, só em 2052 é que os salários em Portugal vão igualar a média europeia

Desde 2016 que os salários em Portugal estão a convergir com a Europa. Mas a manter-se o ritmo atual de crescimento, só daqui a mais de 30 anos é que os rendimentos igualarão a média europeia.

Na negociação dos salários em sede de concertação social que arrancou esta semana, o Governo fixou como objetivo “acelerar a convergência com a média da União Europeia, de modo a reduzir o diferencial durante a legislatura”.

De acordo com os números que Governo apresentou aos patrões e sindicatos esta quarta-feira, “Portugal encontra-se 3,2 pontos percentuais abaixo da média europeia da importância dos salários pagos no PIB”.

Remunerações dos empregados em % do PIB

Governo + Eurostat

Para atingir este objetivo, o Governo propõe-se a “promover não só o aumento do salário mínimo nacional, mas também um aumento substancial dos salários médios e medianos dos trabalhadores”.

Mas afinal, quanto ganha, em média, um trabalhador português? E um europeu? E em quanto tempo é que podemos conseguir alcançar a média europeia?

Segundo os números do Eurostat, o rendimento médio (líquido de impostos) de um português no ano passado foi de 13.458,4 euros/ano, ou seja, 961,31 euros por mês (considerando a remuneração paga em 14 meses). Já os europeus levam para casa no final do ano, em média, 24.700,77 euros “limpos”, o que corresponde a 1.764,34 euros por mês (considerando que a remuneração é paga em 14 meses) ou 2.058 euros (se paga em 12 meses).

Estes valores do gabinete de estatísticas europeu referem-se a um português solteiro, sem filhos, e que ganha um salário igual à média nacional. O Eurostat também disponibiliza números de rendimentos das famílias, com e sem filhos. Para consultar, clique aqui.

Mas a conclusão repete-se sempre: um europeu ganha, em média, quase o dobro de um português. Na Europa a 28, as remunerações médias anuais variam entre os 41.943,59 euros do Luxemburgo (mais do triplo do que em Portugal) e os 5.512,98 euros da Bulgária (menos 60% do que a remuneração paga em Portugal).

Rendimento líquido anual na União Europeia

Fonte: Eurostat. Caso de um solteiro, sem filhos, e com uma salário igual à média nacional.

Para convergir com a média europeia, o Governo liderado por António Costa, no âmbito do Acordo de Médio Prazo sobre Competitividade e Rendimento, sugeriu aos patrões esta quarta-feira um referencial para a atualização dos salários que tivesse em conta a soma do crescimento da produtividade e a inflação. Para o próximo ano, o aumento sugerido é de 2,7% e vai aumentando até chegar aos 3,2% em 2023.

Tal como o ECO noticiou esta quarta-feira, nos últimos dois anos, os patrões, mesmo sem nenhum acordo com o Governo, negociaram aumentos salariais a nível de contratação coletiva superiores a 3%, colocando os rendimentos em Portugal em rota de convergência com a média europeia.

Os números do Eurostat mostram que os salários em Portugal têm registado um crescimento maior do que a média europeia desde 2016. Nesse ano, o primeiro completo de António Costa como primeiro-ministro, os rendimentos em Portugal cresceram 2,73%, enquanto na Europa a 28 registou-se uma contração de 0,79%. Em 2017, os rendimentos em Portugal aumentaram 1,9% (e na Europa apenas 0,74%) e no ano passado subiram 3,12% (contra os 2,28% na União Europeia).

A subida dos rendimentos pode resultar quer do aumento dos salários, quer da descida dos impostos e das contribuições para a Segurança Social.

A manter-se o ritmo médio de crescimento dos salários dos últimos três anos (2,58% em média em Portugal, versus 0,74% da Europa), Portugal continuará a convergir com os restantes países da União Europeia mas só em 2052, ou seja, daqui a mais de 30 anos é que poderemos igualar a média do rendimento dos outros europeus. Isto se, e é um grande “se”, Portugal conseguir manter o atual ritmo de convergência.

Convergência dos salários, se Portugal e Europa mantiverem os atuais ritmos de crescimento

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Ao ritmo atual, só em 2052 é que os salários em Portugal vão igualar a média europeia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião