Mutualista Montepio quer duplicar lucros e captar 10.000 associados em 2020

Mutualistas espera quebra nas receitas e aumento nos custos. Ainda assim, antecipa lucros superiores a cinco milhões de euros no próximo ano. Proposta será votada a 30 de dezembro.

Antes da saída, Tomás Correia delineou o plano de crescimento da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) para 2020. A mutualista dona do Banco Montepio quer mais que duplicar os lucros, bem como aumentar o número de associados.

O Programa de Ação e Orçamento 2020 que será levado à assembleia geral de acionistas, a 30 de dezembro, tem inscrita uma projeção de lucros de 5,4 milhões de euros no próximo ano. As contas de 2019 ainda não estão fechadas, mas a estimativa presente no mesmo documento indica que a associação vai fechar o ano com um resultado líquido de 2,047 milhões.

Ou seja, o aumento do lucro seria de 162%. A explicação deverá prender-se (tal como acontece desde 2017) com o reconhecimento de ativos por impostos diferidos. Após o contributo de 833,6 milhões de euros esperado em 2019, a AMMG espera quase 852 milhões no próximo ano. Este contributo favorável deverá levar as contas a ficarem positivas, apesar da quebra nos restantes indicadores.

Ao contrário do que aconteceu este ano, as receitas associativas deverão cair 30% para 456 milhões de euros (contra 658 milhões em 2019). Nestas receitas associativas, a mutualista espera uma reaplicação de 127 milhões e a captação de poupanças mutualistas de quase 329 milhões (com uma taxa de captação superior em 22%). Os custos, por seu lado, devem agravar-se.

“Refere-se que se os ‘proveitos inerentes a associados’ forem inferiores, em 10%, aos valores orçamentados e se os ‘custos inerentes a associados’ forem superiores, em 5%, ao previsto, a ‘margem de atividade associativa» seria negativa, circunstância que contaminaria, negativamente, outras rubricas da demonstração de resultados, nomeadamente a variação das provisões técnicas“, alerta o Conselho Fiscal no parecer anexo ao documento.

Para conseguir alcançar estes resultados, a AMMG conta com um aumento do número de associados. “A base de Associados atingia 604.681, no final do passado mês de setembro, estimando-se que se mantenha neste número até final do ano”, revela, acrescentando esperar um crescimento de 10.398 associados para um total de 615.079 em 2020.

Também neste caso, o Conselho Fiscal levanta dúvidas. Considera que o número de associados em 2020 “se afigurar algo otimista” e que a “quebra aparente” nas receitas associativas “deve ser analisada face à projeção da evolução dos custos associativos, designadamente, dos vencimentos programados”.

Apesar de deixar alguns alertas, o Conselho Fiscal conclui que “nada chegou ao nosso conhecimento que dê lugar a crer que os pressupostos usados não proporcionam uma base razoável para as previsões do exercício de 2020”, considerando que a proposta está “em condições de merecer aprovação”.

Os números são conhecidos na véspera da despedida de Tomás Correia, que vai abandonar o cargo de presidente da AMMG após mais de uma década. O adeus vai acontecer este sábado, num almoço de Natal na Altice Arena. Virgílio Lima é o nome indicado para o substituir, sendo que está atualmente a ser avaliado pelo Banco de Portugal.

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