Venda de barragens impulsiona rating da EDP, diz a Moody’s

A agência de notação financeira explica que a empresa está, em 2019, abaixo dos pares e deverá ver o perfil financeiro reforçado no próximo ano graças à operação.

A venda de seis barragens no Douro reforça o perfil financeiro da EDP, segundo a agência da Moody’s. A avaliação foi divulgada pela notação financeira esta segunda-feira, depois de a empresa liderada por António Mexia ter anunciado o negócio por 2,2 mil milhões de euros.

“A alienação de certos ativos hídricos em Portugal é positivo para o rating da EDP – Energias de Portugal porque as receitas serão usadas para reduzir dívida e financiar o plano de investimentos do grupo”, explica a Moody’s.

A EDP acordou venda das seis barragens a um consórcio liderado pela francesa Engie, que conta também com a participação do Crédit Agricole e a Mirova, do grupo Natixis. A alienação, que faz parte da alienação de ativos não estratégicos da elétrica nos próximos três anos, ficou 200 milhões acima do montante apontado pelo mercado e deverá ficar concluída no segundo semestre de 2020.

Mexia afirmou, após o anúncio, que o encaixe vai servir para reduzir dívida e que o negócio iria ter um impacto positivo na diminuição da exposição aos preços do mercado de energia. E a Moody’s — que avalia atualmente a empresa no primeiro nível de investimento (Baa3) concorda: “Após a alienação, o perfil de risco do negócio da EDP irá melhorar de forma modesta“, diz.

“Estimamos que as métricas de crédito da EDP ficarão, em 2019, de certa forma abaixo dos níveis de 2018, refletindo os baixos volumes hídricos na Península Ibérica. No entanto, a alienação deverá permitir à EDP reforçar o perfil financeiro e demonstrar, em 2020, rácios mais aproximados do guidance do atual rating de Baa3“.

No entanto, para o negócio ficar fechado, a elétrica ainda tem de receber autorização do Governo, através da Agência Portuguesa do Ambiente e da DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, mas também da Autoridade da Concorrência. O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, disse esta segunda-feira que vai avaliar “barragem a barragem” a venda, em relação à qual o Estado “ainda não recebeu” o necessário pedido de autorização.

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