Ricciardi: “Posição do BES na EDP foi um pedido de Sócrates”

  • ECO
  • 23 Dezembro 2019

Ricciardi disse, enquanto testemunha no caso EDP, que que Salgado influenciou a escolha de António Mexia para liderar a EDP e que o BES só adquiriu uma posição na elétrica porque José Sócrates o pediu

José Maria Ricciardi revelou que Ricardo Salgado informou a Comissão Executiva do Banco Espírito Santo (BES), no final de 2005, que “o então primeiro-ministro José Sócrates lhe tinha pedido para o BES adquirir uma participação qualificada na EDP (necessariamente superior a 2%)”. A declaração pode ser lida no auto de interrogatório dos procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto ao antigo presidente do BESI, a 14 de novembro, no âmbito do caso EDP e que foi consultada pelo Observador (acesso condicionado)

O BES adquiriu uma posição na elétrica — 2,17% por 200 milhões de euros — em janeiro de 2006. O investimento “não resultou de um estudo económico-financeiro prévio por parte do BES”. Serviu para “satisfazer” o “pedido de José Sócrates ao arguido Ricardo Salgado”, disse Ricciardi, acrescentando que “continua a considerar inusitado e não tem memória de tal ter ocorrido mais alguma vez no BES”.

No interrogatório Ricciardi disse ainda que foi Salgado que influenciou a escolha de António Mexia para a EDP. “Ricardo Salgado influenciou/teve conhecimento prévio” e “aprovou a escolha de Mexia” — até porque se tratava de um “antigo quadro do BES que tinha saído amigavelmente do banco”. O antigo presidente do BESI, entretanto comprado pelo Haitong, disse que foi o próprio Ricardo Salgado que, no âmbito de uma reunião do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo ou da Comissão Executiva do BES o informou que António Mexia sucederia a João Talone como presidente da EDP em janeiro de 2016. Uma decisão que foi anunciada pelo então ministro da Economia, Manuel Pinho, que não gostava de Talone por este ser “próximo do PSD e tinha sido nomeado pelo Governo desse partido”, terá justificado o próprio Manuel Pinho a Ricciardi.

Estas afirmações de Ricciardi poderão ajudar o Ministério Público a reforçar a prova indiciária que já reuniu contra Manuel Pinho, António Mexia e Ricardo Salgado no caso EDP, escreve o Observador.

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