Lisboa ganhou mais de 10%, mas foi uma das piores da Europa. Quem brilhou e quem afundou?

O índice de referência nacional registou um ano melhor que o anterior, mas não conseguiu superar 2017. Ficou também entre as praças europeias que registaram menores ganhos.

O verde dominou os mercados acionistas em 2019, ano que fecha com uma valorização de 10,2% para o índice português PSI-20. Foi um ano melhor que 2018 (quando a bolsa tinha caído 12%), mas ficou aquém do ano anterior. O PSI-20 foi também um dos europeus que menos somou em 2019.

Apesar de ter fechado a última sessão do ano no vermelho (com uma perda de 0,43% para 5.214,14 pontos), o acumulado do ano foi positivo para o índice. A estabilidade política e equilíbrio orçamental no país uniram-se a uma conjuntura internacional favorável (nomeadamente com a diminuição dos receios com guerra comercial ou Brexit) para impulsionar as ações.

O ano de 2019 foi um ano de recuperação para os mercados de ações, o PSI-20 não foi exceção, registando uma valorização em torno de 10%, eliminando as perdas de 2018, mas ficando ainda aquém dos valores de final de 2017″, explica Carlos Almeida, diretor de investimentos do Best, ao ECO.

“No entanto, atendendo à natureza e especificidades do mercado nacional, é importante considerarmos a componente dos dividendos: se levarmos em linha de conta o reinvestimento dos dividendos, a valorização de 2019 é superior a 15%“, refere.

PSI-20 fecha próximo dos níveis de 2017

Jerónimo Martins foi a estrela

A liderar os ganhos esteve a Jerónimo Martins, que valorizou 41,83% em 2019, apesar de ter recuado 1,51% para 14,66 euros por ação na última sessão e de ter vivido um ano de turbulência na Polónia devido a mudanças legislativas e a suspeitas de incumprimento de práticas de concorrência.

No total, seis cotadas tiveram valorizações acima do índice: a EDP Renováveis (35%) e a EDP (26,73%) — cujo ano ficou marcado pela morte da OPA pelo acionista China Three Gorges –, bem como a Corticeira Amorim (25,56%), a Mota-Engil (16,15%), a Sonae (12,35%) e a REN (11,75%).

Entre os “pesos pesados” que fecharam no verde, esteve ainda a Galp Energia, que subiu 8,01%. Os CTT, que chegaram mesmo a negociar num mínimo histórico abaixo de dois euros, acabaram por recuperar e fechar o ano com uma subida de 8,28%.

BCP teve mesmo um ano difícil

As cotadas dos setores do papel e pasta de papel, que tinham sido as estrelas de 2018, corrigiram, em parte devido ao impacto da incerteza no dólar. A Semapa ganhou 4,73% no ano, enquanto a Navigator cedeu mesmo 0,33% e a Altri recuou 2,07%. Mas foi a Pharol a cotada que mais caiu em 2019, com um tombo de 39%, enquanto a F. Ramada resvalou 22,13%.

O BCP também pesou no PSI-20, com uma queda de 11,63%, para a qual contribuíram os juros em mínimos históricos do Banco Central Europeu e a multa da Autoridade da Concorrência. Em setembro, o CEO Miguel Maya dizia ao ECO que este estava a ser um ano “mais difícil do que aquele que tínhamos perspetivado quando fizemos o orçamento“. E o desempenho em bolsa refletiu isso mesmo.

Lisboa aquém da Europa

Penalizado por estas cotadas, “a performance do índice de referência do mercado de ações português ficou aquém dos seus pares europeus: o caso do Stoxx 50 — não considerando o efeito de dividendos — termina com um ganho de 25%, um valor superior a 15 pontos percentuais quando comparado com o índice nacional”, lembrou ainda Carlos Almeida, do Best.

O Stoxx 600 ganhou 23%, na maior subida anual desde 2009, com as blue chips a dispararem mesmo para o valor mais elevado desde 1999. Já o francês CAC 40 subiu 26% também para máximos de duas décadas, enquanto o alemão DAX ganhou 25,5% (o máximo desde 2012). O espanhol IBEX 35 somou 12% (o maior ganho desde 2013) e o britânico FTSE 100 ganhou igualmente 12% (mas neste caso é a maior subida desde 2016).

(Notícia atualizada às 13h30)

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