Custos dos fogos na Austrália superiores a três mil milhões de euros

  • Lusa
  • 8 Janeiro 2020

O turismo e a agricultura são as atividades económicas mais afetadas, de acordo com uma análise da agência de análise financeira norte-americana Moody’s.

O custo económico dos fogos das últimas semanas na zona leste e sul da Austrália já ultrapassou os cinco mil milhões de dólares australianos (cerca de três mil milhões de euros), indicaram as primeiras estimativas.

O valor total ainda está longe de ser conhecido, especialmente porque dezenas de fogos continuam ativos em vários pontos do país, mas as estimativas iniciais apontam para um custo elevado para a economia australiana, noticiou a imprensa australiana.

O turismo e a agricultura são as atividades económicas mais afetadas, de acordo com uma análise da agência de análise financeira norte-americana Moody’s, mas especialistas anteciparam igualmente uma queda geral na confiança dos consumidores, o que vai ampliar os efeitos na economia.

A agência lembrou que a época de incêndios ainda se vai prolongar durante pelo menos dois meses, o que implica que o custo poderá aumentar significativamente, especialmente quando as primeiras avaliações detalhadas de zonas destruídas forem concluídas.

De acordo com o diário Sydney Morning Herald, a economista da Moody’s Katrina Ell disse aos jornalistas que o impacto poderá cimentar a possibilidade de um novo corte na taxa de juro na próxima semana, pelo Banco da Reserva da Austrália, de 0,75% para 0,5%.

A economia deverá ter um impacto mais positivo quando o processo de reconstrução começar, notaram os economistas.

Ao lembrar o impacto de fogos de grande dimensão, como os de 2009 em Vitoria, Ell notou que neste caso a extensão de área destruída é “muito maior” o que fará ampliar necessariamente os custos para as economias de pessoas, empresas e, consequentemente, dos estados.

Uma situação que agrava o baixo consumo já registado no país e a situação de várias regiões que apresentam elevados custos associados a secas prolongadas.

“Os impactos sociais dos fogos levam a que a confiança já frágil dos consumidores seja ainda mais afetada. Com a crescente preocupação geral com gastos, a situação atual agrava esse consumo ainda mais”, referiu. “Danos ao setor agrícola terão impacto em preços, especialmente no que toca a frutas e verduras”, acrescentou.

Uma vez que os incêndios estão a ocorrer na época alta de férias na Austrália, os fogos estão a ter um “impacto profundo” no turismo, com propriedades destruídas e muitos cancelamentos de viagens.

Responsáveis turísticos estimaram que o custo de reconstrução venha a rondar as “centenas de milhões de dólares”, com uma queda nos gastos de turistas e no número de visitantes, incluindo do estrangeiro.

A economia poderá também ressentir-se por possíveis problemas de saúde, com a poluição do ar a afetar até um terço da população, com “reduções na produtividade dos trabalhadores, mais gastos em saúde e menor produção” agrícola.

Dados do Conselho de Seguradoras da Austrália indicaram que, até segunda-feira, tinham sido apresentados pedidos às seguradoras num total superior a 700 milhões de dólares australianos (432,3 milhões de euros). A agência de notação S&P notou que isso poderá levar a um aumento do custo das apólices.

O Governo Federal anunciou já um pacote de apoio de dois mil milhões de dólares australianos (1,2 mil milhões de euros) para a recuperação de áreas afetadas pelos incêndios.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, afirmou que o dinheiro será distribuído nos próximos dois anos e gerido por uma nova agência dedicada à reconstrução de casas e infraestruturas danificadas.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Custos dos fogos na Austrália superiores a três mil milhões de euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião