Acidente ou ataque? Irão rejeita rumores sobre queda de avião

  • ECO e Lusa
  • 9 Janeiro 2020

Numa altura em que se adensam as suspeitas de que os mísseis do Irão podem ter provocado a queda de um avião ucraniano, Teerão veio rejeitar esses rumores.

As suspeitas de que o avião ucraniano que caiu esta quarta-feira no Irão pode ter sido atingido por um míssil iraniano adensaram-se esta quinta-feira.

Citando um oficial norte-americano, o The Wall Street Journal avançou que os EUA têm um “alto nível de confiança” de que o Boeing 737-800 foi abatido, uma hipótese que é rejeitada por Teerão, que alegadamente terá recusado entregar as caixas negras à Boeing.

Em simultâneo, as autoridades iranianas rejeitaram a tese de que o desastre do Boeing 737 da Ukraine International Airline esteja relacionado com um eventual ataque com mísseis, afirmando que essa teoria “não faz sentido”.

“Vários voos domésticos e internacionais voam ao mesmo tempo no espaço aéreo iraniano à mesma altitude de 8.000 pés, e essa história de ataque com mísseis (…) não podia estar mais incorreta”, indicou o Ministério dos Transportes iraniano, num comunicado.

“Esses rumores não fazem qualquer sentido”, prosseguiu a nota informativa, que cita o presidente da Organização de Aviação Civil iraniana (CAO) e vice-ministro dos Transportes, Ali Abedzadeh.

A propósito das caixas negras do aparelho, encontradas no mesmo dia do desastre (quarta-feira), Ali Abedzadeh declarou que “o Irão e a Ucrânia têm os meios para descarregar as informações” que os aparelhos contêm.

“Mas, caso sejam necessárias medidas mais especializadas para extrair e analisar as informações, podemos fazê-lo em França ou em outros países”, afirmou o representante iraniano, num momento em que foram divulgadas informações que dão conta de que Teerão está a recusar o acesso às caixas negras do avião ao fabricante norte-americano Boeing.

Já o presidente iraniano, Hassan Rohani, num contacto telefónico com o seu homólogo ucraniano, prometeu à Ucrânia que iria ser realizada uma investigação objetiva para apurar as causas do acidente. “Rohani assegurou que o Irão irá proporcionar aos peritos ucranianos acesso a todas as informações necessárias”, refere a nota da Presidência ucraniana. O comunicado garante ainda que o Irão irá disponibilizar “o acesso a todas as informações necessárias” aos peritos ucranianos.

O aparelho Boeing 737 da companhia aérea privada ucraniana UIA descolou quarta-feira de manhã da capital iraniana, Teerão, em direção à capital da Ucrânia, Kiev. O avião despenhou-se dois minutos depois da descolagem, matando as 176 pessoas (passageiros e tripulantes) que estavam a bordo, a maioria de nacionalidade iraniana e canadiana.

Também esta quinta-feira, o primeiro-ministro do Reino Unido pediu uma “investigação completa, credível e transparente” sobre o desastre aéreo, uma vez que entre as 176 pessoas mortas, estão três britânicos. “As informações que temos são muito perturbadoras e estamos a analisá-las com urgência”, acrescentou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro britânico (Downing Street), sem fornecer mais pormenores, após um contacto telefónico entre Boris Johnson e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy.

As autoridades ucranianas, que enviaram para Teerão uma equipa de 45 investigadores para participar no inquérito em curso, avançaram esta quinta-feira que estão a investigar pelo menos sete possíveis causas do desastre, incluindo um eventual ataque com mísseis.

“Estamos a avaliar de forma minuciosa todas as teses, que são sete”, indicou hoje, em declarações à agência France-Presse (AFP), o secretário do Conselho ucraniano de Segurança e de Defesa Nacional, Sergei Danylov. Por enquanto, “nenhuma é prioritária”, precisou o mesmo representante ucraniano.

Entre as possíveis teses que estão a ser exploradas pelas autoridades da Ucrânia está um possível disparo de um míssil antiaéreo contra o Boeing 737, a explosão de uma bomba a bordo do aparelho, a colisão do avião de passageiros com um ‘drone’ (aparelho aéreo não-tripulado) ou a deflagração de um incêndio no motor “por razões técnicas”. Segundo os primeiros elementos do inquérito da CAO, o voo da UIA despenhou-se após um “problema” e um incêndio a bordo.

O Boeing 737 despenhou-se algumas horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases da coligação internacional anti-‘jihadista’ liderada pelos Estados Unidos, em Ain Assad e Erbil, no Iraque, numa operação de retaliação pela morte do general iraniano Qassem Soleimani num ataque em Bagdad ordenado por Washington na sexta-feira passada.

(Notícia atualizada às 19h30)

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