Primeiro-ministro canadiano diz que avião ucraniano foi abatido por míssil iraniano. Irão desmente

  • Lusa e ECO
  • 9 Janeiro 2020

Justin Trudeau diz ter informações de que o avião ucraniano que caiu na quarta-feira no Irão foi derrubado por um míssil iraniano, acrescentando que a ação "pode ter sido intencional".

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, afirmou esta quinta-feira que o seu Governo dispõe de informações de que o voo 752 de Ukranian International Airlines (UIA) foi derrubado por um míssil iraniano.

Trudeau, que falava numa conferência de imprensa, acrescentou que a ação “pode ter sido intencional”. O aparelho, um Boeing 737 da companhia aérea privada ucraniana UIA, descolou na quarta-feira de manhã da capital iraniana, Teerão, em direção à capital da Ucrânia, Kiev.

O avião despenhou-se dois minutos depois da descolagem, matando as 176 pessoas (passageiros e tripulantes) que estavam a bordo, a maioria de nacionalidade iraniana e canadiana. Pelo menos 63 cidadãos canadianos estavam a bordo.

Onze ucranianos, incluindo nove membros da tripulação, estão, igualmente, entre as vítimas mortais do acidente. Também estavam dentro do avião da UIA cidadãos oriundos da Suécia, Afeganistão, Alemanha e Reino Unido.

Horas antes destas declarações, as autoridades do Irão já tinham desmentindo essa informação, referindo que “vários voos domésticos e internacionais voam ao mesmo tempo no espaço aéreo iraniano à mesma altitude de 8.000 pés, e essa história de ataque com mísseis (…) não podia estar mais incorreta”, indicou o Ministério dos Transportes iraniano, num comunicado.

“Esses rumores não fazem qualquer sentido”, prosseguiu a nota informativa, que cita o presidente da Organização de Aviação Civil iraniana (CAO) e vice-ministro dos Transportes, Ali Abedzadeh.

Irão diz ter a “certeza” de que avião não foi atingido por míssil

Esta quinta-feira, vários líderes ocidentais afirmaram que o avião pode ter sido atingido de forma inadvertida por um míssil terra-ar poucas horas depois do bombardeamento iraniano contra bases militares no Iraque, o que levou a um novo comentário por parte do Irão.

“Uma coisa é certa, esse avião não foi atingido por um míssil”, disse o presidente da Autoridade da Aviação Civil do Irão, Ali Abedzadeh, numa conferência de imprensa na capital iraniana.

As autoridades ucranianas, que enviaram para Teerão uma equipa de 45 investigadores para participar no inquérito em curso, avançaram esta quinta-feira que estão a investigar pelo menos sete possíveis causas do desastre, incluindo um eventual ataque com mísseis. No mesmo dia em que ocorreu o acidente, duas bases aéreas iraquianas foram atingidas com mísseis balísticos iranianos.

Suécia pede investigação “rápida” e “transparente”

O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, pediu esta sexta-feira uma investigação “transparente” e “rápida” sobre a queda do avião, que provocou a morte de dez suecos. “Concordamos que essas informações aumentam ainda mais a necessidade de uma investigação rápida, completa e transparente e que os países afetados devem ter a opção de contribuir com os especialistas e ter acesso a todos os dados“, salientou Löfven em comunicado enviado à agência sueca TT.

Löfven indicou ainda que teve uma conversa telefónica na quinta-feira à noite com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, e que acordaram que o contacto fosse “próximo” e “contínuo”, assim como com os restantes países afetados no acidente.

(Notícia atualizada a 10 de janeiro com declarações da Suécia)

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