Após fuga de Ghosn, Nissan acelera plano que pode levar à rutura da aliança com a Renault

  • ECO
  • 13 Janeiro 2020

A administração da Nissan acelerou as conversações sobre o que fazer caso tenha de romper com a Renault. O plano foi acelerado desde a fuga de Carlos Ghosn do Japão para o Líbano.

A relação entre a Nissan e a Renault continua a degradar-se e não está excluído o cenário de separação entre as duas fabricantes e parceiras de longa data. Pelo contrário: segundo avança o Financial Times (acesso pago), a Nissan está mesmo a promover discussões confidenciais que poderão resultar na rutura da aliança.

O jornal britânico deu conta de um plano de contingência que pode passar pela divisão entre engenharia e fabrico na aliança Renault-Nissan e alterações na composição do Conselho de Administração da empresa japonesa. Em linhas gerais, a empresa está a avaliar o que fazer caso tenha de deixar de contar com a engenharia e a tecnologia da Renault.

O plano não é novo, mas a Nissan carregou no acelerador desde a surpreendente fuga do ex-gestor Carlos Ghosn do Japão para o Líbano, em dezembro. Ghosn era chairman e presidente executivo das duas empresas, mas encontra-se foragido das autoridades japonesas, tendo levantado dúvidas quanto à parcialidade do sistema judicial do Japão. O gestor garante estar inocente.

Ainda assim, deverá ser dada primazia a uma tentativa de reatar laços. Espera-se que o chairman da Renault, Jean-Dominique Senard, que sucedeu a Ghosn no cargo, apresente vários projetos conjuntos da aliança, numa tentativa de provar que a parceria com quase 20 anos ainda pode funcionar. E o novo presidente executivo da Nissan, Makoto Uchida, também tem estado a trabalhar no desenvolvimento desses projetos.

Caso a Nissan decida mesmo avançar com a rutura, esta poderá coincidir com um momento crítico para o setor automóvel. Uma eventual cisão deverá obrigar as duas empresas a procurarem novos parceiros, uma vez que a indústria tem-se transformado pelas dinâmicas de consolidação: para além da nova aliança entre a Volkswagen e a Ford, a Fiat Chrysler vai fundir-se com a PSA, sendo Carlos Tavares o líder executivo da nova gigante.

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