Dividendos portugueses estão menos atrativos. PSI-20 fora do pódio

A valorização da bolsa de Lisboa aquém das pares fez Portugal cair no ranking dos melhores dividendos (em comparação com o preço da ação). Deverá ficar, ainda assim, na quinta posição em 2020.

As empresas portuguesas estão menos atrativas na remuneração dos acionistas. Num ano em que a nível europeu se espera um valor recorde de pagamento de dividendos (referente aos resultados de 2019), Portugal cai para quinto lugar na atratividade do “fatia” dos lucros que será distribuída, isto depois de ter sido, em 2019, o segundo país do mundo com maior rácio de dividendos face à cotação das ações.

A Rússia manteve a liderança do ranking anual da Allianz Global Investors, com uma dividend yield (rácio que compara o dividendo com a cotação da ação) de 7%. Tanto em 2019 como em 2018, Portugal foi o segundo melhor país para encontrar dividendos, mas este ano a situação mudou. O país foi ultrapassado por Reino Unido, Noruega e Espanha, caindo para a quinta posição.

As cotadas portuguesas deverão apresentar, em média, uma dividend yield de 4,5% em 2020 (contra 5,36% no ano passado). A quebra estará relacionada não com os dividendos em si mesmos, mas sim com o preço das ações. É que a bolsa de Lisboa foi uma das que menos ganhos registou em 2019, um ano recorde para as principais praças europeias e norte-americanas.

O PSI-20 valorizou 10,2% naquele que foi um ano melhor que 2018 (quando a bolsa tinha caído 12%), mas ficou aquém do ano anterior. E foi um dos europeus que menos somou em 2019: o Stoxx 600 ganhou 23% (para máximos de duas décadas). Tanto as bolsas da Rússia como da Grécia disparam cerca de 50%.

Há quatro países com melhores dividendos que Portugal

Dividendos são oásis no deserto de retornos

Portugal cai, assim, no ranking que é um indicador seguido para avaliar quão atrativa é a ação. Apesar disso, mantém-se no top global e acima da média europeia. “As empresas europeias, em particular, têm uma política de dividendos amiga dos investidores, em comparação com os pares internacionais“, refere o relatório.

A dividend yield média esperada para as empresas do índice MSCI Europe é de 3,7%, revela a análise da Allianz GI, que lembra que as empresas norte-americanas têm maior tendência para lançar programas de recompra de ações do que para pagar dividendos.

A gestora de ativos sublinha, no entanto, a importância dos dividendos para os investidores numa altura de dificuldade em encontrar retornos dado que “as yields das obrigações estão profundamente no vermelho”.

“A busca por retornos está a tornar-se mais difícil que nunca”, refere a gestora de ativos, lembrando que 25% da dívida mundial e 60% das obrigações da Zona Euro têm juros negativos. “Por essa razão, os dividendos parecem estar a ganhar atenção. Estes poderão ajudar a alcançar retornos e a parar a drenagem de riqueza“, acrescentou.

A estimativa da Allianz GI aponta para o pagamento de dividendos de aproximadamente 359 mil milhões de euros na Europa em 2020. O montante será o valor mais elevado de sempre e representa um crescimento de 3,6% (ou 12 mil milhões de euros) face ao recorde de pagamentos de dividendos em 2019.

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