Vendas de casas chegaram aos 25 mil milhões. Travão aos vistos gold vai ter “impacto enorme”

Das 179 mil casas que se venderam no ano passado, 2,5% do valor de vendas veio dos vistos gold. A JLL avisa que impor limites a estes vistos será um "grande desafio" para o setor.

Há oito anos que o número de casas vendidas no país tem vindo a aumentar. A JLL aponta para que tenham sido transacionadas quase 180.000 habitações só no ano passado. Em euros, isto representa um volume de vendas de cerca de 25 mil milhões de euros, dos quais 2,5% vieram de investimentos feitos através dos vistos gold. Se o Governo avançar mesmo com limites a estes vistos, a consultora imobiliária alerta para o impacto e para o “grande desafio” que essa medida será para o setor.

2019 foi “novamente um ano muito forte para o mercado residencial em Portugal”, mostrando-se “semelhante a 2018”, ano em que foram batidos recordes históricos, refere o estudo “Portugal Real Estate Market 360.º”, da JLL, que foi apresentado esta quarta-feira aos jornalistas. Depois de uma crise económica, a partir de 2015 começou uma “forte recuperação” e, desde então, observou-se um crescimento de 205%, estimando-se que em 2019 tenham sido vendidas 178.700 habitações.

Em termos de volume de vendas assistiu-se a um ligeiro aumento de 4% para cerca de 25,1 mil milhões de euros, face aos 24,06 mil milhões observados em 2018, referiu a JLL.

De todo este volume de vendas, 2,5% veio de dinheiro investido através dos vistos gold. “O impacto vai ser enorme” se a proposta do PS para acabar com estes vistos em Lisboa e no Porto vá para a frente, advertiu Pedro Lancastre, diretor-geral da JLL Portugal, acrescentando que “será um grande desafio para o setor” se os golden visa acabarem.

Isto porque o responsável da consultora acredita que a intenção do PS poderá mesmo ser acabar de vez com o regime dos vistos gold. “Acho que há uma vertente do Governo que quer acabar” com estes vistos. A restrição em Lisboa e no Porto “é uma forma de empurrar com a barriga” o fim dos vistos.

Especialista no setor residencial, Patrícia Barão sublinha que 2020 será um ano de “grandes oportunidades” para se promover projetos imobiliários para as famílias portuguesas, mas “tem de se ter atenção à segurança que se oferece aos estrangeiros”. “Estamos numa encruzilhada. Ou continuamos a ser atrativos e oferecemos confiança aos investidores, ou tomámos uma decisão restritiva que passa por pôr em causa em confiança”, sublinha.

JLL encerra 2019 com faturação de 73 milhões de euros

No mesmo evento, o diretor-geral da JLL revelou que a empresa encerrou o ano passado com uma faturação de 73 milhões de euros, adiantando que a consultora é a única no mercado que opera em todos os setores, desde residencial, escritórios, logística, centros comerciais e hotelaria. “Foi um ano extraordinário e uma época muito positiva. Começámos 2013 com uma tempestade difícil e agora estamos numa tempestade perfeita”, diz Pedro Lancastre, notando que, no início, eram 30 colaboradores e hoje são mais de 300.

Para 2020, o responsável destaca quatro tendências: a urbanização (mais pessoas passarão a viver nos centros das cidades), a propensão a canalizar as poupanças para o setor imobiliário, as novas formas de viver o imobiliário e a tendência mundial para arrendar casa em vez de comprar.

Analisando mercado a mercado, a JLL destaca que, no mercado de escritórios, se fecharam 175 negócios, num total de 193.892 metros quadrados, a segunda maior taxa de ocupação da década. As rendas, por sua vez, aumentaram para 25 euros o metro quadrado, dada a falta de espaços de escritórios, principalmente nas principais cidades do país.

De um modo geral, em 2019 foram investidos 3,24 mil milhões de euros em imobiliário comercial, um número que representa 23% de todo o capital transacionado ao longo da década. Nos últimos dez anos, o retalho (centros comerciais) foi o principal setor de investimento com 40%, à frente dos escritórios (27%), hotéis (10%) e alternativos — residências estudantis, etc. — com 6%.

O top 3 dos maiores negócios do ano são a venda do portefólio dos hotéis Tivoli, comprado pelo Invesco por 313 milhões de euros, mas também o portefólio Harbert, no setor comercial, por 185 milhões de euros. Destaque ainda para a venda do Algarve e Albufeira Shopping pela FREY por 179,3 milhões de euros.

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