Siza Vieira diz que venda de posições de Isabel dos Santos em Portugal é um “bom passo”

  • ECO
  • 3 Fevereiro 2020

Ministro da Economia considera que a saída da acionista de empresas como a energética Efacec ou o banco EuroBic poderão evitar danos reputacionais.

O ministro-adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, vê com bons olhos a possibilidade de venda das participações de Isabel dos Santos em Portugal. Em entrevista à Reuters, o responsável afirmou considerar que a saída da acionista de empresas como a energética Efacec ou o banco EuroBic poderão evitar danos reputacionais.

Acho que esse é um bom passo, porque queremos evitar qualquer dano reputacional na atividade dessas empresas“, disse o ministro da Economia Pedro Siza Vieira, em entrevista à Reuters, em relação à saída de Isabel dos Santos da estrutura acionista de empresas portuguesas.

A angolana está a ser acusada de fraude no país devido a alegado desvio de dinheiro, enquanto era presidente da petrolífera estatal Sonangol. O caso foi tornado público pelo consórcio de jornalismo de investigação (ICIJ) que revelou mais de 715 mil ficheiros que indicam como a filha do ex-presidente de Angola terá, com recurso ao EuroBic, transferido 115 milhões de dólares para uma sociedade sua no Dubai.

Isabel dos Santos tem participações em 22 empresas com sede ou presença em Portugal, incluindo nas cotadas Nos e Galp, mas também na Efacec e no banco EuroBic, sendo que estas duas últimas estão em processo de venda. São estas alienações que Siza Vieira diz serem positivas.

Se olhar para o impacto, que é adverso, sobre as origens do dinheiro de Isabel dos Santos — que ainda têm de ser provadas — os danos à reputação das empresas portuguesas podem ser significativos. Portanto, a vontade dela de alienar rapidamente é útil neste contexto. Significa que o dano à reputação pode ser diminuído e, espero, totalmente evitado”, afirmou, em declarações à Reuters.

A par das investigações judiciais que estão ser conduzidas pela justiça angolana, a Procuradoria-geral da República portuguesa também já está a acompanhar a situação. O Banco de Portugal está realizar uma inspeção no Eurobic para avaliar os procedimentos contra a lavagem de dinheiro e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários está a investigar as auditoras envolvidas no caso.

“A sociedade tornou-se mais intolerante com a corrupção, com a falta de transparência, a evasão fiscal”, acrescentou Siza Vieira. “Não desejo supor ou concluir que algo disso tenha acontecido nestes casos particulares“.

(Notícia atualizada às 13h30)

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