Openbank poupa nas comissões. Quer dinheiro das famílias portuguesas para investir

Openbank chega ao mercado português com contas sem custos, mas os levantamentos poderão vir a ser pagos. Os investimentos estão no topo das prioridades da instituição do Santander.

Contas sem comissões, pagamentos em moedas diferentes e fundos de investimento geridos por robôs. O Openbank, banco digital totalmente detido pelo Santander, chegou ao país no final do ano passado de olho no público mais jovens. Não descarta a concessão de crédito, mas, para já, o foco é o investimento das poupanças dos portugueses.

“Para os bancos, o private wealth só é rentável a partir de um milhão de euros. O digital é a solução para isso”, acredita Ezequiel Szafir, CEO do Openbank, na apresentação do banco esta terça-feira, em Lisboa. “Acreditamos que a grande vantagem que trazemos aos clientes portugueses é o wealth management digital”.

Szafir lembrou que 44% do dinheiro dos portugueses está em cash e 61% em investimentos de baixo de retorno, como depósitos. Com 1,3 mil milhões de euros em ativos sob gestão e uma plataforma aberta que permite investir em fundos de outros bancos, o CEO considera que há interesse dos clientes em Portugal em investir através de plataformas digitais. “Não é impossível aproximar Portugal da realidade do Reino Unido”, onde apenas 24% está em dinheiro, segundo o responsável.

“A solução é dar o mesmo serviço que damos ao 1% [referindo-se à percentagem dos mais ricos] a todos. O que oferecemos é digital wealth management para todos”, sublinha Gonzalo Pradas, head of wealth do banco, onde não há investimento mínimo nos fundos e onde os clientes têm acesso ao robô-advisor a partir dos 500 euros em investimento (com comissões entre os 0,42% e os 1,03% anuais).

Levantamentos pagos. Crédito? “O mais depressa possível”

Até final de maio, o banco está a lançar uma campanha de abertura em que as contas não têm custos de abertura ou manutenção, as transferências dentro da União Europeia são gratuitas, tal como o cartão Я42, que é de débito e de viagem (ou seja, permite fazer pagamentos em moedas diferentes). Esta funcionalidade de viagem pode ser ligada ou desligada na app, sendo que os clientes que abrirem conta depois de junho terão de pagar 7,99 euros por mês.

Também os levantamentos em multibanco poderão ser pagos. Há cinco levantamentos grátis por mês na Zona Euro e sem limite nas caixas automáticas do Santander em todo o mundo, mas todos os outros levantamentos são pagos. Apesar de a lei portuguesa o impedir aos bancos portugueses, instituições financeiras estrangeiras podem fazê-lo.

Quanto a disponibilizar crédito, também está nos planos — “o mais depressa possível” segundo Ezequiel Szafir –, mas não é uma prioridade. Em Espanha, o grupo tem 700 milhões de euros em empréstimos, sendo que está ainda presente na Alemanha e na Holanda onde entrou na mesma altura que em Portugal.

Questionado, o banco não quis divulgar o montante do investimento na expansão, especificando apenas que vem do Openbank e não do Santander. O Openbank opera em Portugal com licença bancária crossbroder e a gestão é toda a feita a partir de Madrid. Só numa próxima fase tenciona pedir licença de sucursal.

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