Milhares de holandeses unem-se contra aeroporto no Montijo

  • Lusa
  • 18 Fevereiro 2020

Uma associação para a defesa das aves da Holanda está a promover uma petição contra o novo aeroporto no Montijo. Os promotores temem que a ave-símbolo da Holanda seja afetada pelos aviões.

A Associação para a defesa das aves da Holanda avançou com uma petição em defesa do maçarico-de-bico-direito, uma ave símbolo daquele país e que estará em risco por causa da construção do aeroporto do Montijo.

De acordo com a rádio TSF (acesso livre), a petição, da Associação para a defesa das aves da Holanda, em parceria com a Organização Não Governamental BirdLife Europe, já reuniu 26 mil assinaturas.

O abaixo-assinado, promovido pela Vogelbescherming Nederland, tem por título “Maçarico Sim! Aeroporto Não!” e visa proteger as centenas de milhares de aves do estuário do rio Tejo e em particular o maçarico-de-bico-direito.

Em declarações à TSF, o porta-voz da associação explica que o maçarico é a ave nacional da Holanda, país por onde passam, uma vez por ano, cerca de 85% dos animais desta espécie.

O responsável disse estar “chocado” quando a associação teve conhecimento do plano para construir o aeroporto no Montijo, um projeto que no seu entendimento vai afetar não só os maçaricos, mas milhares de outras aves que por ali passam.

“Ficámos chocados francamente. É um estuário que é essencial para o maçarico migrar de África para a Holanda. Os campos de arroz do Tejo são vitais para a sobrevivência da espécie”, disse Thijs den Otter.

Os maçaricos-de-bico-direito viajam entre África e a Holanda e pelo meio descansam na área do estuário do Tejo.

Esta área perto de Lisboa é crucial para este tipo de ave carregar baterias e ganhar forças para o final da viagem. A ideia de ter um aeroporto num estuário é difícil de entender numa sociedade de preservação da natureza. É uma zona protegida vital para milhares de aves migratórias e pode causar um desastre ecológico”, destacou.

Thijs den Otter sublinhou também que não percebe como Portugal planeia fazer um aeroporto numa zona considerada protegida pela União Europeia para salvar espécies selvagens ameaçadas ou vulneráveis.

Os cientistas estimam que entre janeiro e fevereiro o Estuário do Tejo seja usado como abrigo e fonte de alimento por cerca de 50 mil maçaricos-de-bico-direito, refere a TSF.

Em 8 de janeiro de 2019, a ANA – Aeroportos de Portugal e o Estado assinaram o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, com um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 para aumentar o atual aeroporto de Lisboa e transformar a base aérea do Montijo, na margem sul do Tejo, num novo aeroporto.

O aeroporto do Montijo poderá ter os primeiros trabalhos no terreno já este ano, depois da emissão da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) e da reorganização do espaço aéreo militar e após os vários avanços registados em 2019.

Esta terça-feira, o secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, escreve um artigo de opinião no jornal Público, em defesa do aeroporto do Montijo, onde reconhece que o risco mais sério é o ‘bird strike’, conhecido em vários aeroportos.

“Não há aeroportos sem impactos (…). Os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem. E este postulado arriscado é tão cientificamente sólido como o seu contrário: o de que eles não vão encontrar paragens estalajadeiras, como no Mouchão. Ciência sem dados comprovados não é ciência”, disse.

No mesmo artigo, o secretário de Estado critica ainda aqueles que defendem a construção do aeroporto em Alverca.

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