Mais de mil milhões de euros do PDR ainda estão por executar, alerta a CAP

  • Lusa
  • 19 Fevereiro 2020

Confederação dos Agricultores de Portugal alertou que há "mais de mil milhões de euros por executar" no PDR, considerando que "os pagamentos estão muito aquém" do desejado.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou esta quarta-feira que há “mais de mil milhões de euros por executar” no Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), considerando que “os pagamentos estão muito aquém” do desejado.

“Há mais de mil milhões de euros que estão por executar. São milhões que já deveriam estar na mão dos agricultores, que permitiam a realização de investimentos e produção de resultados, que tanta falta fazem ao mundo rural, às famílias e às empresas”, afirmou o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, que falava na sessão de encerramento do 10.º Colóquio Nacional do Milho, que decorreu em Coimbra.

Aproveitando a presença da ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, o responsável da CAP lançou um “forte apelo” para que o assunto tenha a atenção do Governo.

Para Eduardo Oliveira e Sousa, a questão não se resume apenas ao “dinheiro que faz falta aos agricultores”, mas também à negociação do novo orçamento plurianual da União Europeia, em que se está “a tentar que não haja cortes” na Política Agrícola Comum (PAC).

“Como podemos defender o desejado orçamento se os objetivos a que nos propusemos não foram alcançados?”, questionou.

Durante a intervenção, o presidente da CAP voltou a frisar que os agricultores estão “muito apreensivos” face ao futuro orçamento plurianual, em que o bloco do Centro e Norte da Europa continua a insistir num corte na PAC, assim como a possibilidade da “eliminação do mecanismo de convergência”.

“A CAP acompanha com apreensão este tema, porque manterá ou agravará o fosso entre agricultores dos países mais ricos, no Norte, e os países pobres e mais desfavorecidos a Sul e a Leste da União”, notou.

Para Eduardo Oliveira e Sousa, será “difícil derrubar a barreira dos países nórdicos”, mas pediu ao Governo para ser inflexível “até ao limite do razoável”, nas negociações do orçamento.

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