Trotinetas duplicam em Lisboa, mas metade das empresas já saiu do mercado

Cinco empresas de trotinetas elétricas mantêm-se em Lisboa, mas seis decidiram sair. Ainda assim, o número trotinetas na capital não parou de subir: são já perto de 5.000, o dobro do ano passado.

O número de trotinetas elétricas em Lisboa praticamente duplicou no último ano, embora mais de metade das marcas já tenha deixado este mercado. Segundo fonte da autarquia, existem atualmente “entre 4.000 e 5.000” destes veículos nas ruas da cidade, que comparam com as “2.000 a 2.500” trotinetas que existiam em fevereiro do ano passado, como tinha revelado o município na altura.

O ano de 2019 foi pródigo em novas empresas de partilha destes veículos. No auge, chegaram a ser 11 diferentes operadores a operarem em Lisboa, o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio. Porém, algumas dessas marcas sobreviveram apenas poucos meses, num contexto de intensa concorrência e num negócio cuja operação é relativamente complexa.

Um levantamento feito pelo ECO mostra que, dessas 11 empresas, apenas cinco continuam, aos dias de hoje, a explorar o negócio das trotinetas elétricas na capital portuguesa. Há ainda uma outra empresa, a Bolt, que se lançou neste novo negócio mais recentemente, mas que opera apenas na região do Algarve. Contas feitas, Hive, Lime, Circ, Frog e Uber são as cinco marcas de trotinetas elétricas que ainda se veem nas ruas de Lisboa.

Mas 2019 também foi pródigo em saídas, umas de forma mais discreta do que outras. A Voi anunciou no passado mês de outubro a decisão de abandonar o mercado português, menos de um ano depois de ter entrado. O mesmo caminho foi seguido pela Tier, Wind, Bungo e Iomo. A Bird suspendeu as operações e já não tem trotinetas em Lisboa, mas comprou recentemente a operação da Circ e ainda estará a decidir se mantém as duas marcas a operar em simultâneo no mesmo mercado.

Apesar dos lançamentos e das desistências, certo é que o crescimento no número de trotinetas não desacelerou. Atualmente, existem “entre 4.000 a 5.000” trotinetas elétricas em Lisboa, disse ao ECO fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa, enquanto, há pouco mais de um ano, o vereador da mobilidade, Miguel Gaspar, assumia existirem “entre 2.000 a 2.500”.

No Porto, porém, o cenário é diferente. A Câmara Municipal da “invicta” realizou na semana passada um leilão para atribuir licenças a um máximo de três operadores na cidade. As licenças são válidas a partir de março, tendo sido atribuídas à Bird, à Hive e à Circ, por 20.000 euros cada uma.

O negócio das trotinetas elétricas é ilustrativo da velocidade a que anda o setor da tecnologia. As startups são forçadas a crescerem e adaptarem-se depressa, sob pena de serem forçadas a desistir.

Mas este negócio é ainda caracterizado pela necessidade logística de uma operação de recolha, arrumação e carregamento das trotinetas elétricas. Algumas marcas, como a Lime, apostam em incentivos aos clientes para que carreguem trotinetas a troco de algum rendimento. Outras têm a sua própria rede logística, que recolhe, carrega e arruma as trotinetas na cidade.

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