7 números que mostram como o vírus infetou os mercados

Com o coronavírus a galopar, está a aumentar a ansiedade dos investidores. As bolsas afundam, o petróleo também, ao mesmo tempo que os ativos refúgio brilham.

Depois de semanas em que os números foram-se avolumando na China, o coronavírus saltou para a Europa. Num ápice, o número de infetados, mas também de mortes, disparou, deixando os investidores em pânico. As bolsas europeias, mas também do resto do mundo, afundaram, o petróleo também. O “índice do medo” tocou máximos, assim como o ouro. Veja, em sete números, como o vírus que ameaça a economia global está a infetar os mercados internacionais.

-5,45%

Nenhuma outra praça financeira registou uma queda tão expressiva quanto a italiana. Enquanto o Stoxx 600 perdeu 3,84%, eliminando todos os ganhos acumulados desde o início do ano, o FTSE MIB, o índice de referência de Itália, afundou 5,45%, perante o aumento repentino do número de casos de infeção, e de mortes, com coronavírus no norte do país. Foi o maior trambolhão do índice de Milão desde o referendo do Brexit, em 2016, com as empresas de vestuário e de bens de luxo a destacarem-se nas quedas.

-2,19 mil milhões

Lisboa não conseguiu fazer diferente das restantes bolsas europeias. Registou uma forte queda, com todas as cotadas a encerrarem em “terreno” negativo, levando o PSI-20 a perder 3,53%. Esta desvalorização, também neste caso a maior desde a sessão seguinte ao referendo ao Brexit em que os britânicos votaram a favor da saída do país da União Europeia, em junho de 2016 — algo que só veio a acontecer a 31 de janeiro deste ano — levou a capitalização bolsista das cotadas do índice principal a encolher em 2,19 mil milhões de euros.

-16,37%

Todos os setores de atividade foram castigados pelos investidores, desde o retalho ao luxo. Contudo, houve um que se destacou nas quedas: o da aviação, especialmente na Europa. O Stoxx Travel & Leisure, que reúne as maiores empresas do setor, desde as companhias aéreas até às agências de viagens e às cadeias hoteleiras, perdeu mais de 6%, com a easyjet a protagonizar a queda mais acentuada. As ações da companhia low cost afundou 16%, sendo que a Ryanair, sua concorrente, perdeu 12,9%.

-5,33%

A forte queda das ações traduz a fuga de investidores de ativos considerados de risco, como são as ações. É um movimento explicado, em grande parte, pelos receios quanto ao impacto que o coronavírus poderá vir a ter na economia mundial. Num ano que já se previa de abrandamento, este vírus vem ensombrar as perspetivas, levando também muito dinheiro a sair do mercado petrolífero. Prova disso é a queda de 5,33% do preço do barril de Brent, negociado em Londres, para 55,38 dólares. Em Nova Iorque, o WTI cai 5% para 50,72 dólares.

24,13 pontos

Os receios dos investidores são muitos. A cada novo número que surge, seja de pessoas contagiadas, seja de mortes provocadas pelo vírus, aumenta a ansiedade de quem tem dinheiro no mercado, levando-os a disparem ordens de venda. Essas ordens tendem a gerar fortes variações nos mercados, fazendo aumentar a volatilidade, medida através do VIX. Aquele que é conhecido como o “índice do medo” disparou 31,7% na primeira sessão da semana, tocando nos 24,13 pontos, o nível mais elevado desde 3 de janeiro de 2019.

-0,485%

Ao mesmo tempo que tiram dinheiro das ações, ou do mercado petrolífero, os investidores procuram alternativas para o “guardarem”. Boa parte desses fundos está a ser transferido para ativos considerados seguros, como são os títulos de dívida soberana de países como os EUA, Japão ou a Alemanha. As Bunds alemãs a 10 anos valorizaram, levando a taxa a cair para “terreno” ainda mais negativo. Os juros chegaram aos -0,485%, enquanto a yield a 10 anos de Portugal está nos 0,23%.

1,87%

Melhor desempenho que os títulos de dívida soberana tem tido o ouro. O metal ganha ainda mais brilho de cada vez que se agudiza o surto do coronavírus, estando já a negociar em máximos de 2013, com o valor da onça nos 1.673 dólares.

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