Fundação Oriente “limpa” banco antes de venda a árabes

Banco Português de Gestão, detido pela Fundação Oriente, recebeu de sete milhões no início do mês. Reforço de capital servirá para limpar balanço. Árabes aguardam BCE para concluir compra do banco.

Carlos Monjardino é presidente do conselho de administração do BPG e presidente da Fundação Oriente.António Cotrim/Lusa

A Fundação Oriente voltou a injetar dinheiro no Banco Português de Gestão (BPG) para cobrir perdas com imparidades relacionadas com ativos problemáticos. Este esforço de limpeza do balanço surge numa altura em que prepara a venda do banco aos árabes do IBB Bahrein Holdings. Só falta a autorização dos reguladores.

O BPG, liderado por Carlos Monjardino e detido a 92% pela Fundação Oriente, realizou um aumento no valor de sete milhões de euros no início de fevereiro, reforçando o capital para 76 milhões de euros. Há pouco mais um ano tinham sido injetados outros 15,5 milhões em duas operações de reforço de capital registadas em outubro de 2018 e janeiro de 2019.

“O objetivo deste aumento de capital foi fazer face às exigências de capital provocadas pelas imparidades constituídas”, disse fonte oficial da Fundação Oriente ao ECO em relação ao último reforço. Além da fundação, que é o acionista de referência, o BPG tem ainda como acionista o empresário macaense Stanley Ho (4%), entre outros.

O banco chegou a setembro do ano passado com prejuízos de 2,5 milhões de euros, isto depois de ter fechado 2018 com uma perda de 14 milhões de euros, num desempenho que foi muito pressionado pelo aumento das imparidades para crédito “decorrente de um esforço dirigido a uma redução do peso líquido dos NPL (non performing loan) na carteira de crédito”, notou a instituição nas contas de 2018.

Em maio do ano passado, o ECO Insidernewsletter do ECO reservada a assinantes — dava conta da alienação do BPG ao Bahrain IIBG Holdings, que meses antes tinham anunciado a compra do Banco Efisa, um dos despojos do BPN que estava nas mãos da Parvalorem, por 27 milhões de euros. A limpeza do balanço do BPG era a condição essencial do negócio, acrescentou o ECO Insider na altura.

Sobre o processo de venda, a mesma fonte da Fundação Oriente adiantou que “aguardam-se as autorizações das entidades competentes”. Isto é, Banco de Portugal e Banco Central Europeu. Concluída esta transação, a seguir o investidor árabe promoverá possivelmente uma fusão com o Banco Efisa.

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