Ninguém quer trabalhar na comissão de acompanhamento à venda do Novo Banco

Comissão de acompanhamento dos ativos tóxicos do Novo Banco está incompleta há um ano. Máximo dos Santos diz que não consegue contratar ninguém. "Muitos fogem".

Quando o Novo Banco foi vendido ao Lone Star, em outubro de 2017, criou-se uma comissão de acompanhamento para a venda da instituição com três elementos. Um deles saiu há um ano e até hoje o lugar continua por ocupar. O Fundo de Resolução já fez vários convites, mas foram todos rejeitados. Porquê?

Muita gente foge deste assunto [Novo Banco], sente que não tem ânimo nem vontade para tratar dele“, explicou Luís Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução, que detém ainda 25% da instituição financeira.

“Muitos acabam por ter incompatibilidade devido a funções que exerceram no passado”, acrescentou ainda, adiantando que fez vários convites mas foram recusados.

No Parlamento, onde está a ser ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças, Máximo dos Santos disse ainda que não tem sido “fácil encontrar” pessoas com “os conhecimentos, a preparação técnica e a disponibilidade” para desempenhar “um trabalho temporário”.

Há cerca de um ano, Miguel Athayde Marques deixou a comissão de acompanhamento da venda do Novo Banco, alegando incompatibilidade devido ao facto de a sua mulher ter integrado a administração do Santander. Este órgão tem por missão escrutinar as decisões do banco naquilo que possa ter impacto na chamada de capital ao Fundo de Resolução através do mecanismo de capital contingente, nomeadamente as vendas de malparado e outros ativos problemáticos que têm dado prejuízos significativos.

Atualmente, são dois membros: José Rodrigues de Jesus (presidente) e José Bracinha Vieira (vice-presidente), ambos nomeados exclusivamente pelo Fundo de Resolução.

Máximo dos Santos reconheceu que o Novo Banco até está a perder com esta situação, dado que o terceiro elemento é designado em conjunto pelo Fundo de Resolução e Novo Banco.

“Os dois membros que lá estão têm emitido os seus pareceres, acompanhando os comités, não se resguardam nos seus esforços”, disse ainda.

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