Vírus afunda cotadas do PSI-20. Há seis em mínimos de três ou mais anos

Com a bolsa de Lisboa em mínimos de quatro meses, há várias empresas com perdas superiores. No entanto, também já há cotadas portuguesas a dar sinais de recuperação.

O receio do coronavírus não se vive só nas ruas europeias, mas também nos mercados financeiros. O surto está a penalizar o sentimento dos investidores devido ao potencial impacto económico e as bolsas têm estado em selloff desde o início da semana. No índice português PSI-20, as 18 cotadas desvalorizaram 3,67 mil milhões de euros em apenas duas sessões e continuam a cair, levando os títulos a mínimos de vários anos.

A bolsa de Lisboa voltou a negociar, esta terça-feira, abaixo dos 5.000 pontos e tocou mínimos de quatro meses. Desde o início da semana, já acumula uma desvalorização de quase 6,5%, que anulou todos os ganhos deste ano. Mas grande parte das cotadas caem mais do que o índice, com a Nos a destacar-se pela negativa.

A telecom liderada por Miguel Almeida tocou os 3,75 euros por ação, o valor mais baixo desde 17 de julho de 2013. É que além do receio generalizado em relação ao vírus, a Nos já estava a ser penalizada pelo anúncio de corte de dividendos, feito na apresentação de contas anuais.

Nos afunda para mínimos de quase sete anos

Apesar de a Nos ser o caso mais expressivo, há outras cotadas em mínimos de vários anos. É o caso do “peso pesado” BCP, que tocou esta quarta-feira os 16,77 cêntimos que não tocava desde 22 de março de 2017. Mota-Engil, Pharol, Ramada e Sonae negociaram também em mínimos de mais de três anos. E as quedas continuam em Portugal, em linha com a tendência por todo o mundo.

“Depois de uma sessão em queda livre no mercado americano, as quedas prosseguiram na sessão asiática”, lembrou André Pires, analista da corretora XTB, numa nota de abertura da sessão. Na Europa, considera que os investidores estão “a aguardar novas notícias macroeconómicas e, especialmente, notícias sobre o coronavírus“.

O número de casos confirmados de coronavírus atingiu 81.000 e tanto o número de pessoas curadas (30.165 pacientes) como as vítimas mortais (2.764) aumentaram. Na Europa, há já casos em Espanha e na Grécia, enquanto na América do Sul foi confirmado o primeiro infetado no Brasil.

Para reagir ao surto, a Casa Branca estará a ponderar decretar estado de emergência nacional, Hong Kong anunciou uma série de medidas de incentivo orçamentais e os investidores estão a apostar num corte das taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). Para já, parecem estar a esperar para ver, mas há quem antecipe já uma recuperação das bolsas.

Alguns setores mais cíclicos ou com maior exposição à China deverão sofrer uma quebra importante na sua atividade. Entre eles, os setores automóvel, commodities, companhias aéreas, hotéis… Contudo trata-se de uma situação conjuntural, não estrutural. Por esse motivo, devemos estar bem posicionados para quando a epidemia for controlada”, considera o Bankinter. “As quedas das bolsas irão inverter. Pensamos que a primeira retoma deverá ocorrer entre amanhã [quinta-feira] e sexta-feira“.

Algumas cotadas portuguesas estão já a dar sinais de recuperação. É o caso da EDP, que segue a ganhar 1,5%, após ter sido o principal perdedor na bolsa de Lisboa. As ações da elétrica liderada por António Mexia tinham atingido máximos de sempre, na semana passada, mas afundaram 7% em dois dias (o equivalente a uma perda de 1,2 mil milhões de euros) e caíram para mínimos do início do mês. Também as perdas de outros “pesos pesados” do PSI-20 como a EDP Renováveis, a Galp ou a Jerónimo Martins levaram as cotações para mínimos deste ano.

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