Coronavírus provoca “cancelamento das reservas em fevereiro e março”. Hotéis estão preocupados com a Páscoa

A hotelaria também está a sentir os efeitos do coronavírus. Perante o crescente número de cancelamentos de reservas em fevereiro em março, o setor está seriamente preocupado com a altura da Páscoa.

O coronavírus está a ter impacto em todos os setores da economia, com o turismo a ser especialmente castigado. Em Portugal, a hotelaria está a sofrer com vários cancelamentos de reservas, principalmente depois do aumento do número de casos na Europa. Setor fala num “abrandamento severo” do turismo, mostrando-se preocupado com o impacto que a epidemia poderá ter na Páscoa, uma altura importante para o turismo nacional.

À Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) chegam dúvidas sobre normas de segurança e sobre a forma de lidar com os clientes e, principalmente, os que vêm de países já com casos de coronavírus registados, revelou ao ECO Cristina Siza Vieira, CEO da AHP. Ao mesmo tempo, continuou, “há, obviamente, preocupações com cancelamentos e o impacto que esta situação tem na atividade económica”.

"Naturalmente, neste momento, há um abrandamento severo das viagens e um cancelamento das reservas em fevereiro e março.”

Cristina Siza Vieira

Presidente da AHP

E a verdade é que a hotelaria já começou a sentir este impacto. “Há uma quebra nas reservas”, continua a responsável, notando que começou pelo mercado chinês, pouco representativo, e, mais recentemente, o italiano, “que também não é dos principais”. “Mas, naturalmente, neste momento, há um abrandamento severo das viagens e um cancelamento das reservas em fevereiro e março”, nota Cristina Siza Vieira.

Embora ainda não seja possível adiantar números sobre este impacto, a CEO da AHP explica que “está a sentir-se em toda a parte”, mas “mais nas cidades”, e até se observam alguns cancelamentos de grupos em Fátima, revelador do impacto do vírus no turismo religioso.

Vírus na Páscoa é ameaça

Além destes cancelamentos — que, na maioria das vezes, são negociados e apenas adiados para mais tarde quando as reservas são feitas por um operador para grupos de várias pessoas –, o setor mostra-se verdadeiramente preocupado com a altura da Páscoa. “Se isto se prolongar durante mais tempo, aí a preocupação cresce. Temos preocupações muito grandes porque temos a Páscoa a caminho”, diz Cristina Siza Vieira, salientando que a Páscoa é “uma altura muito importante” e, se houver um maior abrandamento das viagens, “o impacto será mais severo”.

Ainda assim, por enquanto, ainda não estão a acontecer cancelamentos para essa altura. “A nossa expectativa é que até à Páscoa, [o surto] abrande severamente para que não tenha um impacto muito preocupante na indústria”, espera a responsável.

Mas, por enquanto, “os cancelamentos estão a ocorrer e vão continuar a ocorrer enquanto a situação não se pacificar”. E, “por muitos que os hotéis estejam preparados para acolher bem os hóspedes e garantir esta sensação de segurança, saúde e higienização”, haverá um impacto na operação.

Setor pede apoios ao Governo

Com o inverno a chegar a fim, as atenções do setor vira-se para a primeira época alta do ano, a Páscoa, mas já está a pensar no verão. Tal como a AHP, a AHRESP, que representa, além dos alojamentos turísticos, também a restauração, alerta para os impactos que este vírus pode ter já, numa altura em que o setor se prepara para o período mais quente. Nesse sentido, pede apoios ao Governo.

A AHRESP “exige que se antecipem medidas específicas” de apoio às atividades de alojamento e da restauração, nomeadamente ao nível financeiro, tendo em vista “acautelar e minimizar” impactos negativos na atividade turística este ano.

A AHRESP diz-se “preocupada” com esses impactos e anuncia já ter solicitado ao Governo a criação de instrumentos financeiros de apoio às empresas e seus trabalhadores, para quando se verificarem quebras significativas na atividade, o que refere parecer inevitável já que Portugal “está na rota de muitos itinerários que incluem vários países europeus, levando a que muitos turistas, por receio, mesmo que infundado, tenham vindo a cancelar as suas viagens”.

Bruxelas em alerta. Centeno também

A Comissão Europeia está em alerta perante o aumento do número de novas infeções. Está preocupada com a saúde dos cidadãos europeus, mas também com a saúde financeira das empresas. Neste sentido, solicitou aos Estados-membros uma avaliação dos impactos económicos do Covid-19, facultando “dados agregados sobre o impacto nas cadeias de abastecimento”, tendo em vista coordenar uma análise destas consequências na indústria e empresas do espaço comunitário.

O comissário europeu da Indústria, Thierry Breton, anunciou estarem a ser preparadas, caso se torne necessário, “medidas de apoio” aos setores económicos enfraquecidos pelo coronavírus, mas não especificou as possíveis ajudas.

Também Mário Centeno, enquanto presidente do Eurogrupo, reconheceu que o coronavírus é um risco para a economia, ainda que considere que se trata de um “choque temporário”. Ainda assim, em entrevista à Reuters, o também ministro das Finanças de Portugal sublinhou que há meios para reagir. E diz que o grupo está pronto a agir em caso de necessidade.

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