À espera de estímulos para travar o impacto do coronavírus, Wall Street dispara mais de 4%

Apesar de revisão em baixa das projeções da OCDE, investidores esperam intervenção dos bancos centrais e governos do G7 para travar o efeito do surto na economia global.

Wall Street regressou aos ganhos, a acompanhar o sentimento positivo que se generalizou pelas bolsas globais. Os investidores parecem confiar nas declarações dos bancos centrais, de que estão prontos a atuar para travar o impacto do surto de coronavírus na economia global, e as principais praças norte-americanas fecharam no verde esta segunda-feira, depois de a semana passada ter sido a pior desde 2008.

O índice industrial Dow Jones disparou 5,1% para 26.706,17 pontos, o que representa o maior ganho intradiário desde 23 de março de 2009. Já o financeiro S&P 500 ganhou 4,61% para 3.090,52 pontos e o tecnológico Nasdaq somou 4,49% para 8.952,17 pontos. Em ambos os casos, é a maior valorização num só dia desde 26 de dezembro de 2018.

Há mais de 89 mil pessoas infetadas com coronavírus e três mil vítimas mortais devido ao vírus que surgiu na China e espalhou-se por 65 países. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu esta segunda-feira em baixa a previsão para o crescimento global por causa da epidemia. Em vez dos 2,9% antecipados em novembro, o mundo só deverá crescer 2,4% este ano. A Zona Euro, por seu lado, deverá apresentar um crescimento de 0,8%, prevê a organização liderada por Angel Gurría.

O presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, concorda que o coronavírus representa “um risco para a atividade económica”, apesar de considerar que a economia norte-americana “continua robusta”. Assim, a Fed irá “usar todas ferramentas e agir de forma apropriada para apoiar a economia”, segundo garantiu o norte-americano.

Também o Banco de Japão, o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu garantiram estar prontos a agir, tal como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Os ministros das Finanças dos países do G7 irão debater, esta terça-feira em conference call, medidas extraordinárias.

No mercado petrolífero, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) irá reunir-se nos próximos dias para decidir medidas de mitigação do impacto do surto e a perspetiva de cortes na produção levou o petróleo a disparar. O crude WTI valorizou 6% para 47,43 dólares por barril e o Brent de referência europeia ganhou 6% para 52,65 dólares por barril.

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