Covid-19 trava economia mundial. OCDE vê Zona Euro a crescer apenas 0,8%

A OCDE reviu em baixa a previsão para o crescimento global em 2020 para 2,4%, em resultado do coronavírus. A China deverá crescer abaixo dos 5%, já a Zona Euro ficará aquém de 1%.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em baixa a previsão para o crescimento global por causa dos coronavírus. Em vez dos 2,9% antecipados em novembro, o mundo só deverá crescer 2,4% este ano. A Zona Euro, por seu lado, deverá apresentar um crescimento inferior a 1%, prevê a organização liderada por Angel Gurría.

A revisão das estimativas de crescimento consta no “Coronavírus: a economia mundial em risco”, um relatório interino publicado esta segunda-feira pela OCDE. Começando por destacar “o sofrimento humano considerável e a grande perturbação económica” que este novo vírus já provocou, a organização explica logo de seguida que “as contrações da produção na China estão a sentir-se em todo o mundo, refletindo o papel fundamental e crescente que a China tem na cadeia de fornecimento global, nas viagens e nos mercados de matérias-primas”.

A OCDE antecipa assim que, no caso do pico epidémico acontecer na China durante o primeiro trimestre de 2020 e os surtos nos restantes países sejam moderados e contidos, “o crescimento global deverá ser reduzido em cerca de 0,5 pontos percentuais face ao que era esperado no outlook económico de novembro de 2019″.

Em novembro, a OCDE estimava que este ano a economia mundial viesse a crescer 2,9%, sendo que o corte agora previsto põe o PIB global a crescer apenas 2,4%. Ou seja, abaixo dos 2,9% verificados em 2019. Neste quadro, é ainda antecipado que no primeiro trimestre deste ano, o crescimento económico do mundo possa mesmo ser negativo.

Relativamente à China, a organização diz que as perspetivas foram “revistas acentuadamente”, vendo o país mais afetado pelo surto, a crescer abaixo da fasquia dos 5%. Mais em concreto 4,9%, 0,8 pontos percentuais aquém do previsto em novembro.

A Europa também não deverá passar incólume aos efeitos do coronavírus, com a OCDE a ver a Zona Euro a sofrer uma desaceleração do ritmo de crescimento da sua economia para aquém dos 1%. Antecipa um crescimento do PIB da área do Euro de 0,8%, abaixo dos 1,1% que previa na última revisão.

Dados divulgados esta segunda-feira, mostram que a indústria da Zona Euro já apresenta os primeiros sinais do impacto do surto do Covid-19, registando atrasos em entregas e queda nas encomendas do estrangeiro, em fevereiro. O PMI de indústria do IHS Markit indica que os prazos para os recebimentos de produtos aumentou pela primeira vez num ano, sobretudo em resultado do encerramento de fábricas na China. Para conseguir fazer face às encomendas, as empresas reduziram os stocks a um ritmo raramente visto na última década.

Crescimento pode abrandar para apenas 1,5% com prolongar do vírus

Os efeitos negativos do coronavírus são transversais à generalidade dos países, mas a OCDE vê um cenário em que os danos sobre a economia global possam ser ainda mais acentuados, caso a crise epidémica se agudize.

“Um surto de coronavírus mais duradouro e mais intenso, a espalhar-se amplamente por toda a região da Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte, enfraqueceria consideravelmente as perspetivas”, assinala a OCDE. Nesse caso, o crescimento global poderia cair para 1,5% em 2020, metade da taxa projetada antes do surto do vírus, diz a organização.

OCDE pede ação aos Governos “com rapidez e força”

Face a esse quadro de previsões, a OCDE apela aos governos que ajam “com rapidez e força” com vista a superar o coronavírus e o seu impacto económico, focando a sua atenção três áreas distintas.

Diz que os governos precisam garantir medidas de saúde pública efetivas e com bons recursos de forma a prevenir a infeção e o contágio, e implementar políticas bem direcionadas para apoio aos sistemas de saúde e respetivos trabalhadores. Devem ainda proteger os rendimentos dos grupos sociais vulneráveis e as empresas durante o surto de vírus.

São ainda pedidas políticas macroeconómicas que permitam ajudar a restaurar a confiança e a recuperação da procura, à medida que os surtos do vírus diminuem.

Face a um cenário em que os riscos negativos se materializarem e o crescimento pareça muito mais fraco por um período prolongado, diz ainda que “ações multilaterais coordenadas para garantir políticas eficazes de saúde, medidas de contenção e de mitigação, suporte a economias de baixos rendimentos, e o aumento conjunto dos gastos orçamentais seriam os meios mais efetivos para restaurar a confiança e apoiar os rendimentos”.

(Notícia atualizada às 12h07 com informação sobre as encomendas na indústria da Zona Euro em fevereiro)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Covid-19 trava economia mundial. OCDE vê Zona Euro a crescer apenas 0,8%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião