Coronavírus afeta negócios em todo o mundo. Empresas lançam alertas

  • ECO
  • 1 Março 2020

Alastrar do surto, além de alertas para a saúde pública, está a levar empresas de todo o mundo a anunciarem perdas avultadas de negócio. Várias empresas estão já a alertar os investidores.

O coronavírus está a ganhar terreno. Além da China, já chegou pelo menos a 50 países, da Coreia do Sul aos EUA, até ao Irão, sendo Itália, na Europa, um dos que mais preocupações levanta, tendo em conta o número de vítimas que já provocou. Este alastrar do surto, além de alertas para a saúde pública, está a levar empresas de todo o mundo a anunciarem perdas avultadas de negócio, deixando antever um travão ao crescimento económico mundial.

São já várias as companhias que vieram, nos últimos dias, anunciar o impacto do coronavírus nas operações, alertando para perdas avultadas por causa de um surto que está a chegar a cada vez mais geografias.

Conheça, empresa a empresa, os alertas que estão a ser feitos.

Danone vê “nuvens”. Admite perdas 100 milhões em vendas

A Danone, dona das águas Evian e Volvic, bem como dos iogurtes, prevê um trimestre complicado por causa do coronavírus, especialmente por causa da quebra nas vendas de água engarrafada na China, onde o surto nasceu.

“Começámos o ano sob nuvens de incerteza por causa do coronavírus”, diz Emmanuel Faber, CEO da Danone, citado pelo The Guardian. Neste cenário, e tendo em conta a perspetiva de uma perda de 100 milhões de euros em receitas com o negócio de águas na China, o gestor anunciou que foi forçado a rever em baixa as estimativas de receitas para os primeiros três meses deste ano. Cortou o crescimento de 4% a 5% para 2% a 4%.

Apple falha previsão de receitas no trimestre

Com uma exposição alargada à China, tanto em vendas de iPhones como na cadeia de fornecedores, o coronavírus está a travar o negócio da Apple. A 17 de fevereiro, a marca assumiu que já “não espera cumprir os objetivos de receita” para o trimestre.

Antes da epidemia, a tecnológica liderada por Tim Cook esperava receitas entre 63 mil milhões e 67 mil milhões de dólares (57,6 mil milhões a 61,23 mil milhões de euros) no trimestre. Mas o surto tem levado ao encerramento de fábricas e de lojas, o que está a penalizar a procura por iPhones.

Vírus penaliza computadores da Microsoft

A Microsoft emitiu um aviso aos investidores para que se preparem para o impacto do coronavírus na companhia. Nele, a tecnológica admite que a epidemia está a gerar complicações na cadeia de fornecedores, esperando penalizações nas vendas de computadores e tablets Surface.

Há um mês, a Microsoft esperava que as vendas no segmento de “computação pessoal” deveriam fixar-se entre 10,75 mil milhões e 11,15 mil milhões de dólares (9,83 mil milhões e 10,19 mil milhões de euros). Mas agora, já não espera cumprir estas metas que tinham sido traçadas para o trimestre.

Nike fecha metade das lojas

Também a Nike, cuja empresa tem uma exposição forte na China, foi das primeiras a vir alertar para o impacto do coronavírus para o negócio. A fabricante norte-americana fechou temporariamente metade das suas lojas próprias na China e tem outras a funcionar com horário reduzido. A China é a região de mais rápido crescimento da marca, sendo também onde esta obtém 15% das receitas totais. Pior: 40% dos lucros do ano passado vieram daquele país.

Dona da Guinness admite “fatura” de 385 milhões

A Diageo, dona da cerveja Guinness e das marcas Smirnoff, Johnnie Walker e Baileys, já fez as contas às perdas em que poderá incorrer por causa da quebra na procura, um efeito do coronavírus. A empresa antecipa que a menor procura leve a uma queda de 225 milhões a 325 milhões de libras (267 milhões a 385 milhões de euros) nas suas receitas, com os resultados operacionais a encolherem até 200 milhões de libras (237 milhões de euros).

Lufthansa congela contratações

O setor da aviação está a ser dos mais castigados pelo coronavírus, não só pelo cancelamento de voos para a China, mas também pela retração nas reservas para outros destinos. Perante este cenário, a Lufthansa anunciou que vai congelar as novas contratações, cancelando os programas de treino para novos colaboradores a partir de abril. Mesmo quem já está a concluir este processo não irá integrar a empresa.

Easyjet admite cortes administrativos

Por forma a diminuir o impacto nas contas da companhia aérea, a Easyjet afirma estar empenhada numa “gestão e eficiência operacional e de controlo de custos em diversas áreas do negócio”, que inclui cortes nas áreas administrativas, congelamento do recrutamento, promoções e aumentos salariais, licenças não remuneradas e interrupção de formações não obrigatórias e a realocação de aviões para o verão de 2020. Apesar de falar em “abrandamento significativo na procura”, a low cost diz que ainda que é cedo para determinar qual será o impacto financeiro do surto no negócio.

Air New Zealand vê lucros a encolher

A Air New Zealand já fez contas às perdas por causa do coronavírus. A companhia aérea neozelandesa prevê que a fraca procura por viagens em resultado do surto deverão retirar 75 milhões de dólares neozelandeses (o equivalente a 41 milhões de euros) aos resultados líquidos de 2020. Neste sentido, procurando mitigar o impacto, a empresa apresentou já uma série de medidas para reduzir custos.

Primark alerta para falta de produtos

A Associated British Foods (AB Foods), proprietária da Primark, não aponta, ainda, o potencial impacto nas suas contas do coronavírus, mas alerta para deixar de conseguir reabastecer as suas lojas. No início da semana, a empresa britânica admitiu a possibilidade de haver um risco de escassez de produtos em algumas linhas, como a têxtil e a alimentar, se os atrasos na produção na China se prolongarem.

Dona da Mercedes prevê vender menos carros

A Daimler, dona da Mercedes-Benz, está receosa quanto ao impacto do coronavírus. Alerta que o surto não vão afetar apenas o crescimento das vendas de automóveis, que deverão ser inferiores às registadas em 2019, como pode levar a uma quebra na produção de veículos da fabricante germânica.

Coca-Cola faz contas aos (menores) lucros

A fabricante de refrigerantes norte-americana também já está a fazer contas ao vírus. A Coca-Cola, que tem na China o terceiro maior mercado, diz que o impacto do surto pode pesar residualmente nos resultados deste primeiro trimestre, antecipando menores receitas e uma perda de um a dois cêntimos de dólar nos lucros por ação.

Starbucks prevê “emagrecimento” dos lucros

Com a contágio do vírus a diminuir na China, a Starbucks anunciou há cerca uma semana a reabertura das suas lojas. Ainda assim, a multinacional admitiu no final de janeiro que espera que o surto “afete materialmente” os resultados financeiros da empresa no segundo trimestre de 2020. Segundo as contas da CNBC, a China contribui com 10% das receitas relativas ao primeiro trimestre da companhia.

Wynn Resorts com perdas de mais de 2 milhões por dia

A Wynn Resorts, em Macau, está a perder entre 2,4 a 2,6 milhões de dólares por cada dia que os casinos estão fechados. Com o vírus a alastrar, a “fatura” da empresa liderada por Matt Maddox poderá ascender às centenas de milhões de dólares.

Lucros da AB Inbev vão cair 10%

A Anheuser-Busch InBev, a maior cervejeira do mundo, já perdeu 285 milhões de dólares em vendas desde o início do ano, fruto da menor procura nos mercados asiáticos dado o encerramento de vários restaurantes e bares. A estimativa é de uma “fatura” pesada que pode sê-lo ainda mais. A fabricante da Corona e da Budweiser já veio alertar que prevê uma quebra de 10% nos lucros deste trimestre.

Dona da Iberia prevê menos passageiros

A International Airlines Group, dona da British Airways e da Iberia, prevê que o cancelamento de voos, mas também a quebra nas reservas, se traduza numa redução do número de passageiros transportados. Aponta para uma redução de 1% a 2% em termos de lugares disponíveis nos aviões por quilómetro face à capacidade esperada.

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