Montepio convoca conselheiros para analisar contas de 2019

Auditor tem pressionado mutualista a rever em baixa o valor do Banco Montepio. Conselheiros já foram convocados para reunião que vai analisar contas. Mas ainda não receberam documentos.

O conselho geral da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) vai reunir-se na próxima sexta-feira para analisar as contas individuais da instituição relativas a 2019, adiantou ao ECO fonte próxima da instituição.

A convocatória da reunião chegou aos conselheiros da instituição na manhã desta sexta-feira, mas sem os respetivos documentos relativos às contas e aos pareceres do conselho fiscal e do auditor em anexo, um sinal de que as contas ainda não estarão fechadas.

Não caberá aos conselheiros aprovar ou reprovar as contas. Ainda assim, a AMMG tem de convocar a reunião do conselho geral, um órgão consultivo da instituição onde são conselheiros nomes como Maria de Belém (ex-ministra), João Costa Pinto (antigo vice-governador do Banco de Portugal) ou Luís Patrão (ex-secretário de Estado), antes de convocar a assembleia geral de associados que vai, essa sim, votar as contas do ano passado. A assembleia geral tem de se realizar até final deste mês, sendo convocada com 15 dias de antecedência.

As contas de 2019 poderão trazer novidades importantes para o futuro da maior mutualista do país, com mais de 600 mil associados e gere poupanças na ordem dos 2.900 milhões de euros.

Tal como o ECO avançou em primeira mão, o auditor está a pressionar a AMMG para que o valor das suas participadas no seu balanço seja revisto em baixa. Incluindo o banco, que é o maior ativo da instituição.

Duas fontes adiantaram esta semana que os auditores da PwC — que substituiu a KPMG no ano passado e está hoje em dia sob maior escrutínio por causa da polémica com o caso Luanda Leaks — pretendem que avaliação do Banco Montepio seja revista em baixa: em cima da mesa estaria uma avaliação de cerca de 1.000 milhões de euros, quase metade do valor que a mutualista dá ao banco, disseram as duas fontes.

Quando o ECO publicou a notícia, esta quarta-feira, as contas ainda não estavam fechadas, não se sabendo, por isso, qual o valor final da avaliação do Banco Montepio que será incorporado nas contas individuais da AMMG relativas ao ano passado. As interações entre as partes prosseguiam.

Ainda assim, a acontecer um ajustamento daquela dimensão, isso iria pôr em causa a afetação dos capitais próprios da AMMG, colocando a instituição numa situação de falência técnica, isto é, numa situação contabilística em que não apresenta património suficiente para cobrir as responsabilidades, nomeadamente com os associados.

O tema da sobreavaliação do banco nas contas da mutualista não é novidade. A questão já tinha sido levantada pelo anterior auditor. E a avaliação da instituição bancária volta agora a ser colocada em causa pela PwC.

Ao ECO, a direção de comunicação da AMMG afirmou que a informação de que o auditor pretende ajustar a avaliação do banco para os 1.000 milhões “em nada corresponde à verdade”. “A PwC está a realizar a sua avaliação e análise, não tendo concluído o processo”, refere aquela fonte. A PwC recusou comentar.

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