Vítor Gaspar pede aos países que gastem mais para travar vírus. Mesmo se défice derrapar

O antigo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, considera que os países devem aumentar a despesa com saúde para travar o coronavírus, quer tenham ou não margem orçamental para o fazer.

O antigo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, considera que os países devem gastar dinheiro na Saúde para travar a epidemia de coronavírus, mesmo que tal faça derrapar o défice. Num artigo de opinião, o atual diretor do departamento de assuntos fiscais do FMI, em coautoria com o seu “número dois”, Paolo Mauro, faz ainda uma série de recomendações aos governos em pleno surto que teve origem na China.

“A prioridade dos governos e da comunidade global é prevenir que as pessoas contraiam doenças e curar as que ficam doentes. Mais despesa com saúde pode salvar vidas tanto a nível doméstico como a nível global”, referem os dois economistas. Dito isto, rematam que “os gastos com Saúde devem ocorrer independentemente de quanta margem orçamental tenha um dado país”. Assim, citando a diretora-geral, Kristalina Georgieva, Gaspar e Mauro sublinham que há que garantir que “as pessoas não morrem por falta de dinheiro”.

Mas o foco do artigo não é só as pessoas. Estes economistas consideram que os governos também devem proteger as empresas do “impacto desta crise”. “Quem for mais afetado não pode ir à falência e perder o seu sustento sem ter culpa disso”, sublinham. Desta forma, “um restaurante familiar num país de turismo, ou os trabalhadores de uma fábrica que encerre por causa de uma quarentena, vão precisar de apoio para superar” esta epidemia, acrescentam.

Vítor Gaspar e Paolo Mauro fazem, assim, três grandes recomendações aos países. A primeira prende-se com a aposta na despesa em prevenção, deteção, controlo, tratamento e contenção do coronavírus, fornecendo “serviços básicos às pessoas em quarentena e às empresas afetadas”. Outra recomendação é a criação de “planos de continuação de negócios”.

Uma última recomendação passa pela criação de alívios para as famílias e empresas. Sobre este ponto, Gaspar e Mauro dão uma série de exemplos: subsídios de salário para conter a propagação do vírus, aceleração do pagamento de prestações de segurança social ou de desemprego e alívios fiscais para as pessoas e empresas que não tenham forma de pagar.

Segundo os economistas, estas são as medidas orçamentais mais eficazes para combater o avanço do coronavírus. Ora, sobre isto, Gaspar e Mauro garantem que o FMI promete ajudar, nomeadamente através de um pacote de 50 mil milhões de dólares de ajuda financeira de emergência para os países mais afetados pela epidemia.

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