Eletricidade: quanto mais verde, mais cara?

A resposta é: já não. No simulador da ERSE é possível constatar que os tarifários com eletricidade de fonte renovável são hoje dos mais baratos do mercado.

O custo com as garantias de origem compradas ao estrangeiro era, até agora, o argumento usado pela maioria das comercializadoras para cobrarem preços mais caros pela eletricidade de origem renovável. Isto porque os certificados verdes têm um custo associado à sua aquisição e processamento, que acaba por se refletir no tarifário, justificam.

O cenário mudou e, a partir de agora, as renováveis já têm garantias de origem ‘made in’ Portugal, com a REN a cobrar para certificar a energia verde nacional. Para aderirem ao sistema de garantias de origem português, as empresas têm de pagar à cabeça 1.000 euros. Depois disso, a emissão dos certificados custará 0,037 euros por MWh, menos do que lá fora.

Recorrendo ao simulador de preços da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), é possível constatar que no espaço de cerca de um ano as ofertas verdes deixaram de ser as que mais pesam na carteira dos consumidores. Mais: os tarifários com eletricidade de fonte renovável são hoje dos mais baratos do mercado.

No top 10 das ofertas mais económicas para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), em seis delas a energia é verde (dois tarifários da Muon Electric e quatro da Goldenergy ), sendo que nas restantes quatro (Ylce, EDP Comercial, Galp Energia e Endesa) o mix energético das ofertas inclui fontes fósseis, como o gás natural e o carvão.

Recorrendo ao simulador, vemos que para um consumidor residencial tipo II — casal com dois filhos –, com uma potência contratada de 6,9 kVA, contagem bi-horária e um consumo de 5.000 kWh (3.000 kWh fora de vazio e 2.000 kWh vazio), a oferta mais barata é o Plano Muon Top, da comercializadora Muon Electric, por 1.023,31 euros por ano, o que equivale a 85,28 euros por mês. Selecionando a opção “energia 100% renovável”, no mesmo simulador, esta é também a oferta que surge em primeiro lugar. Além das seis ofertas em comum com a simulação anterior, surgem no top 10 dos tarifários verdes mais em conta outras duas ofertas da Goldenergy e ainda mais duas da Iberdrola.

Consultando outro simulador da ERSE, de rotulagem de energia — para o mesmo consumidor-tipo, a mesma comercializadora e a mesma oferta –, descobrimos que a energia elétrica fornecida no Plano Muon Top foi produzida a partir das seguintes fontes de energia primária: 14% eólica, 13% hídrica, 45% outras renováveis (energia solar, das ondas, das marés, biomassa e biogás); 11% gás natural, 8% carvão, 4% cogeração fóssil e 1% cogeração renovável.

Isto equivale, num ano, a emissões poluentes de 677 kg de dióxido de carbono (56 kg por mês), o equivalente a andar 5.419 Km de carro, 1.992 Km de avião e 11.291 Km de comboio, ao longo de 12 meses.

Comparando com a “oferta mais verde do mercado” apurada pela ERSE — o Plano Negócios Pré-Pago 12 meses, também da Muon Electric — a diferença é brutal, já que neste caso as emissões anuais de CO2 não ultrapassam os 22 kg e a eletricidade provém em 82,53% de outras renováveis (solar, entre outras), 15,14% de energia hídrica, 1,47% de energia eólica, 0,38% de gás natural, 0,26% de carvão e 0,14% de cogeração fóssil.

Se a comparação for feita com as ofertas mais baratas não renováveis, vemos que os exemplos acima mencionados da Ylce (Enforcesco), EDP Comercial, Galp Energia e Endesa, todos equivalem a cerca de 1,3 toneladas de emissões de CO2 no espaço de 12 meses. Ou seja, a energia até pode ser mais barata mas polui 57 vezes mais.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Eletricidade: quanto mais verde, mais cara?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião