Turismo reclama “urgência” de medidas específicas de apoio ao setor

  • Lusa
  • 13 Março 2020

Associação de Hotelaria, Restauração e Turismo considera “insuficientes” para o setor as medidas de apoio decretadas pelo Governo. Defendem “urgência” de medidas específicas “exequíveis”.

A Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT) considera “insuficientes” para o setor as medidas de apoio decretadas pelo Governo devido ao novo coronavírus, defendendo a “urgência” de medidas específicas “exequíveis” e “acessíveis” a todas as empresas.

Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a associação considera “fundamentais” medidas como a “possibilidade de um lay off mais ágil no que diz respeito a prazos e processos”; a “concessão de moratória sem juros, por um período de seis meses, no pagamento da segurança social e do IVA”; e a concessão de moratória, por igual período, “no pagamento de financiamentos bancários, com juros suportados pelo Turismo de Portugal”.

Ainda reclamada é a “suspensão imediata das taxas municipais que vigoram sobre o setor”, designadamente a taxa turística e a taxa das esplanadas.

Salientando que “medidas deste género estão já a ser implementadas em países como Espanha, França e Itália”, a APHORT reclama do Governo um “maior esforço de resposta e de flexibilidade nas condições que permitam salvaguardar a tesouraria das empresas”.

Neste sentido, alerta o executivo para a “necessidade desta resposta ter um caráter de urgência”: “As medidas têm que ser exequíveis, acessíveis a todas as empresas e passíveis de serem postas em prática com a maior rapidez possível”, sustenta.

“Para além das famílias e dos cidadãos, é imperativo que o Governo possa também proteger e garantir a saúde das empresas. O turismo não pode ser só lembrado quando é conveniente. Este setor, que tanto tem dado ao país, não pode numa altura destas ser esquecido”, afirma o presidente da APHORT, Rodrigo Pinto Barros, citado no documento.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.900 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

O número de infetados ultrapassou as 131 mil pessoas, com casos registados em mais de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 78 casos confirmados.

A China registou nas últimas 24 horas oito novos casos de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), o número mais baixo desde que iniciou a contagem diária, em janeiro.

Até à meia-noite de quinta-feira (16:00 horas de quarta-feira, em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu para 3.176, após terem sido contabilizadas mais sete vítimas fatais. No total, o país soma 80.813 infetados.

A Comissão Nacional de Saúde informou que até à data 64.111 pessoas receberam alta após terem superado a doença.

Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.

A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 15.000 infetados e pelo menos 1.016 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou na quinta-feira o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

A região Norte continua a ser a que regista o maior número de casos confirmados (44), seguida da Grande Lisboa (23) e das regiões Centro e do Algarve, ambas com cinco casos confirmados da doença.

O boletim divulgado na quinta-feira assinala também que há 133 casos a aguardar resultado laboratorial e 4.923 contactos em vigilância, mais 1.857 do que na quarta-feira.

No total, desde o início da epidemia, a DGS registou 637 casos suspeitos.

As escolas de todos os graus de ensino vão suspender todas as atividades letivas presenciais a partir de segunda-feira, devido ao surto Covid-19, anunciou na quinta-feira o primeiro-ministro, António Costa, numa declaração ao país.

Várias universidades e outras escolas já tinham decidido suspender as atividades letivas.

O Governo decidiu também declarar o estado de alerta em todo o país, colocando os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.

A restrição de funcionamento de discotecas e similares, a proibição do desembarque de passageiros de navios de cruzeiro, exceto dos residentes em Portugal, a suspensão de visitas a lares em todo o território nacional e o estabelecimento de limitações de frequência nos centros comerciais e supermercados para assegurar possibilidade de manter distância de segurança foram outras das medidas aprovadas.

Já tinham sido tomadas outras medidas em Portugal para conter a pandemia, como a suspensão das ligações aéreas com a Itália.

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