Sonae lucra menos, mas aumenta dividendo. Cláudia Azevedo aplaude trabalhadores em plena pandemia

Empresa liderada por Cláudia Azevedo lucrou menos no ano passado com a ausência de extraordinários. Mas o negócio cresceu, levando a Sonae a propor um dividendo de 4,63 cêntimos.

A Sonae lucrou menos em 2019. A empresa liderada por Cláudia Azevedo fechou o ano passado com um resultado líquido de 165 milhões de euros, uma quebra explicada pela ausência de efeitos extraordinários que puxaram pelas contas do ano anterior. O negócio cresceu, com o volume de negócios a aumentar quase a dois dígitos.

O resultado líquido “fixou-se em 165 milhões de euros, [20%] abaixo do valor registado no ano passado apenas devido aos itens não recorrentes verificados no exercício anterior, nomeadamente as mais-valias registadas na transação da Outsystems pela Sonae IM, na venda de ativos pela Sonae Sierra e nas operações de sale & leaseback executadas pela Sonae MC”, diz a Sonae. Estes tiveram um efeito positivo de 104 milhões em 2018.

“Excluindo estes efeitos, o resultado líquido teria registado um crescimento expressivo”, nota a empresa que, neste sentido, decidiu avançar com um aumento da remuneração a entregar aos acionistas. Propõe um dividendo bruto de “0,0463 euros por ação, 5% acima do dividendo distribuído no ano anterior”, correspondendo a 43% dos lucros.

Receitas crescem quase 10%

O “crescimento expressivo” nos resultados é suportado nos restantes indicadores apresentados pela Sonae. O EBITDA subjacente aumentou 22,2%, para 599 milhões de euros, “com melhorias de rentabilidade em todos os principais negócios do portefólio e também pela consolidação dos valores estatutários da Sonae Sierra”. O EBITDA subiu 7,5% para 695 milhões.

As receitas ainda aumentaram mais. De acordo com a informação enviada pela empresa liderada por Cláudia Azevedo, o “volume de negócios da Sonae atingiu 6.435 milhões de euros em 2019, aumentando 9,2% em termos homólogos, beneficiando maioritariamente do desempenho da Sonae MC e da consolidação anual de vendas em termos estatutários da Sonae Sierra”.

Covid-19. Trabalhadores são “heróis”

Este crescimento do negócio não teria sido possível sem os colaboradores da empresa, que até aumentaram com a criação de mais de 1.100 postos de trabalho em 2019, sobretudo no retalho. E é a esses que Cláudia Azevedo agradece na sua “primeira carta enquanto CEO da Sonae”. “O nosso sucesso sustentado não seria possível sem o entusiasmo, o compromisso e a qualidade das nossas equipas”, diz Cláudia Azevedo.

"A Sonae desempenha um papel crítico em assegurar o acesso da população a vários produtos e serviços essenciais. As nossas equipas sabem disso e têm demonstrado um espírito e compromisso fantásticos nestes últimos dias.”

Cláudia Azevedo

CEO da Sonae SGPS

E, numa altura em que o mundo está a enfrentar a propagação de uma pandemia” com impactos “provavelmente profundos, generalizados e duradouros”, a CEO diz, com orgulho, que “os nossos colaboradores estão a ser verdadeiros heróis”.

“A Sonae desempenha um papel crítico em assegurar o acesso da população a vários produtos e serviços essenciais. As nossas equipas sabem disso e têm demonstrado um espírito e compromisso fantásticos nestes últimos dias. Continuaremos a fazer tudo o que pudermos para proteger os nossos colaboradores, enquanto damos resposta às necessidades das comunidades que servimos”, remata.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Sonae lucra menos, mas aumenta dividendo. Cláudia Azevedo aplaude trabalhadores em plena pandemia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião